Introdução
Nessa unidade, trabalharemos com a ludicidade dentro dessa intervenção psicopedagógica que viemos apresentando no decorrer das primeiras unidades.
Chegou a hora de agir, intervir, aplicar tudo aquilo que visualizamos no decorrer de todo um trabalho detalhado acerca do sujeito, do meio social em que ele vive, suas relações na instituição educacional e com sua família e tudo isso relacionado com a queixa apresentada e com o plano de ação interventivo.
A prática interventiva exige que o plano de ação diagnóstica seja voltado ao pleno desenvolvimento do sujeito, com atividades lúdicas diferenciadas que visem a aprendizagem na totalidade. Dessa forma, entra todo o trabalho psicopedagógico, que geralmente utiliza-se de atividades utilizadas na psicopedagogia clínica, adaptadas à psicopedagogia institucional.
Desenvolveremos um pouco da aplicabilidade dos jogos dentro da intervenção psicopedagógica e o papel da família e da instituição durante essa intervenção planejada pelo psicopedagogo. Estude, leia bastante acerca dessa importante etapa, que é a intervenção, pois, durante o desenvolvimento da sua prática, será possível recordar tudo aquilo que é importante para esse momento, adequando às necessidades que poderão surgir no decorrer do processo interventivo.
Vamos começar?
O Psicopedagogo e suas Contribuições na utilização da Ludicidade
A intervenção psicopedagógica institucional, caro(a) aluno(a), deve estar atrelada às atividades que envolvam as brincadeiras, jogos e toda a atividade lúdica que seja possível, dentro daquilo que você planeja dentro do seu fazer psicopedagógico. Com isso, todas essas atividades podem ser desenvolvidas em grupos, de maneira que, além de favorecerem o aprendizado, favoreçam as relações interpessoais durante o desenvolvimento dessas atividades propostas.
Normalmente, quando falamos de um educador dentro de sala de aula, geralmente ele utiliza jogos, brincadeiras e demais atividades lúdicas como metodologias para facilitar a aprendizagem dos alunos e despertar maior interesse e prazer a respeito do que está sendo ensinado. Só que você deve perceber, em suas práticas, que muitos docentes não sabem o real significado da ação interventiva por meio da ludicidade e, principalmente, o momento certo de utilizar a intervenção por meio da ludicidade.
Dessa forma, vamos pensar que o psicopedagogo tem um papel fundamental para auxiliar o docente a como realmente utilizar a ludicidade de maneira que contribua para o desenvolvimento do educando e, dessa forma, com os jogos e outras atividades lúdicas, os resultados obtidos serão satisfatórios.
Ao compreendermos a psicopedagogia e suas reflexões, devemos ter claramente o que realmente é a prática interventiva e a atitude operativa, pois esses conteúdos mostram os objetivos da ludicidade e dos jogos no processo interventivo na aprendizagem.
O psicopedagogo apresenta o papel de como utilizar de maneira correta a ludicidade, ou seja, um mecanismo de mediação, de modo que o objetivo principal seja o desenvolvimento e a aprendizagem do sujeito.
De acordo com Silvia Amaral (2003, p. 229), “[...] temos uma visão acerca dos jogos: o uso de jogos no contexto educacional só pode ser situado corretamente a partir da compreensão dos fatores que colaboram para uma aprendizagem ativa e da definição do seu lugar na sala de aula”.
A utilização da ludicidade requer que o educador tenha consciência de que a estratégia é utilizá-la de forma lúdica e ter uma visão dessa utilização de forma diferenciada, de forma que essa percepção da utilização da ludicidade seja de uma visão que transforme as práticas docentes.
O conceito de jogos, atividades lúdicas e brincadeiras apresenta diferentes visões de diversos autores. De acordo com Tizuko Morchida Kishimoto (1994, p. 1), “[...] os jogos mostram disputas em partidas, um cachorro que corre atrás de seu brinquedo que você atirou, jogos de tabuleiros com peões, crianças brincando com bichos de pelúcia, um tabuleiro com peões e uma criança que brinca com boneca”. Veja que são várias situações que mostram os jogos e a complexidade de defini-los.
De acordo com Kishimoto (1994, p. 7):
[...] o jogo, brinquedo e brincadeira têm sido utilizados com o mesmo significado, mas na verdade, o brinquedo é entendido sempre como o objeto, suporte da brincadeira. Esta é a descrição de uma conduta estruturada com regras, e jogo designa tanto o objeto quanto as regras do jogo, o brinquedo e a brincadeira.

Fonte: Lopez, 123RF e Oliver, 123RF.
Se pararmos para pensar no real significado desses conceitos (jogos e brincadeiras), vamos pensar que eles possibilitam o sujeito a enxergar de outra maneira o mundo que lhe é externo por meio de conteúdos simbólicos, e isso permite que a ludicidade seja utilizada a favor do docente e dos profissionais que atuam junto a ele.
Os docentes pertencentes a cada instituição deveriam receber formações continuadas sobre como utilizar a ludicidade nas suas práticas pedagógicas, a fim de que essa ludicidade nas instituições sejam metodologias auxiliares e fundamentais no processo ensino-aprendizagem. Essas atividades lúdicas devem ser vistas como algo espontâneo para o docente, ou seja, ele deve sentir-se bem à vontade para inseri-las nas suas práticas pedagógicas, para que exista prazer e disposição em fazer acontecer.
De acordo com Amaral (2003, p. 230):
[...] o uso do jogo é formativo em dupla mão de direção: junto ao aluno e ao professor. Para o professor, o jogo tem potencial de promover novas e melhores formas de ensinar, em geral, para qualquer disciplina, diferentes maneiras de interagir com a turma e de se posicionar dentro da sala de aula, como coordenador das atividades e facilitador do aprender do aluno em vez de centro irradiador das decisões e do saber.
Para que haja o desenvolvimento desta ludicidade que estamos evidenciando aqui, a instituição deve apresentar um espaço adequado para o desenvolvimento das atividades planejadas e, dessa forma, o educando adquire sua espontaneidade e o educador autonomia para desenvolver o que propõe e alcançar os objetivos.
A Importância Educativa dos Jogos
As atividades lúdicas, de uma maneira geral, devem ser vistas como mecanismos que dão um ressignificado aos conteúdos, fazendo com que o sujeito da aprendizagem compreenda, de fato, sua aprendizagem. Muitos educandos, ou até mesmo os docentes, veem os jogos como um momento de descanso, no qual haverá uma folga daquilo que estava sendo visto no desenvolvimento dos conteúdos, na forma tradicional do ensino.
Além disso, podemos ressaltar que os docentes, com os jogos, podem trabalhar assuntos essenciais na aquisição de conhecimentos, desenvolvendo, assim, funções lógicas, afetivas e sociais.

Fonte: Elaborada pela autora.
Os jogos fazem com que os sujeitos envolvidos nas intervenções consigam pensar nas ações futuras, pois possibilitam uma visão mais detalhada acerca do conteúdo que será estudado, impedindo que haja conflitos.
O docente que utiliza dos jogos faz com que o aluno desenvolva uma visão mais concreta acerca do seu cotidiano. Com os jogos, o educando passa a se autoconhecer, seus pontos fracos, fortes e, mesmo que haja erros (o que pode acontecer, mas deve-se tentar evitar), esse educando se sentirá motivado a superar seus limites e erros.
Dessa forma, todo educador deve ter consigo que a brincadeira e a aprendizagem andam juntas, e não desassociadas, como muitas instituições evidenciam ou aplicam em suas práticas educativas. As atividades lúdicas complementam a aprendizagem, complementam os conteúdos e, além disso, proporcionam o desenvolvimento psicológico, motor, emocional e cognitivo, além de desenvolverem as capacidades de pensar e agir do sujeito.
De acordo com Visca (1996, p.73), “[...] os jogos podem ser classificados em lógicos, afetivos e sociais. Cada um deles evidencia as habilidades dos sujeitos”. Vamos saber mais sobre cada classificação, a seguir.
Jogos Lógicos
Os jogos lógicos são aqueles que envolvem o raciocínio e a lógica.
De acordo com Visca (1996), em um dos estudos realizados por ele, os jogos podem ser classificados de acordo com o que conta a história da humanidade, de acordo com situações vividas por outros povos e assim sucessivamente.
Quadro 4.1 - Grupos de jogos
Fonte: Adaptado de Visca (1996, p. 15).
Jogos Afetivos e Sociais
Quando falamos dos jogos afetivos, devemos ter conosco que estes estimulam a emoção e que os sociais estão relacionados à aquisição de atitudes provenientes do meio no qual o sujeito se insere.
Trabalhamos os jogos afetivos e sociais conjuntamente, pois eles se relacionam diretamente entre si. Eles se classificam em:
- Autodescoberta – ao analisar a si próprio, o educando aprende a conhecer o que há de mais complicado na sua aprendizagem e o que ele aprende mais facilmente. Com esse autoconhecimento, aprende a trabalhar com suas potencialidades e a melhorar suas limitações.
- Autonomia – realiza uma análise do cotidiano, do que ocorre no dia a dia e toma decisões.
- Autoestima – é quando o educando consegue superar seus limites e expectativas por meio dos jogos, recuperando a confiança em si e na sua capacidade. Essa autoestima pode ser trabalhada por meio dos jogos (desafios presentes) e com a superação que fornece ao educando a confiança
- Convívio – é o momento em que os educandos passam a conhecer uns aos outros e aceitam as diferenças.
- Cooperação – é onde os jogadores superam obstáculos, tomando como base as habilidades individuais.
- Capacidade de liderar e ser liderado – quando falamos nos jogos, sabemos que estes devem ser generalizados e vívidos. É dessa forma que o sujeito aprende a ser crítico, a analisar, coordenar e orientar.
Funções que podem ser desenvolvidas pelos Jogos
Quando nos referimos aos jogos lógicos, afetivos e sociais, podemos dizer que, além de apresentaram a ludicidade como ponto de partida, auxiliam o sujeito a enfrentar os problemas que possa encontrar durante o processo de ensino-aprendizagem
Existem algumas funções características que são desenvolvidas por meio da ludicidade dentro das instituições escolares. Essas funções estão representadas no esquema a seguir:

Fonte: Elaborada pela autora.
Vamos pensar que cada uma das funções que são desenvolvidas por meio da ludicidade são de extrema importância para o desenvolvimento do sujeito. Nós, enquanto docentes, e você, enquanto futuro psicopedagogo, devemos ter em mente que é necessário saber “dosar” cada uma dessas funções e desenvolvê-las de maneira adequada, a fim de que tenhamos um sujeito equilibrado e com suas funções psicossociais a favor do sujeito e da sociedade.
SAIBA MAIS
Intervenções psicopedagógicas
Você já deve ter pensado, em diversas situações cotidianas, que tão difícil quanto realizar um diagnóstico é aplicarmos as técnicas de intervenção de maneira consciente. Dessa forma, o artigo “Eixos de interesse: pontes para o aprendizado e desenvolvimento de todos os alunos” fará você refletir acerca das intervenções psicopedagógicas. Acesse o link: https://cutt.ly/EfES38R.
Fonte: elaborado pela autora.
O Trabalho do Educador com os Jogos
Caro(a) aluno(a), você, como educador(a), deve ter em mente que essa ludicidade dentro da instituição escolar deve fazer parte da intervenção do psicopedagogo, das atividades cotidianas que complementam e atuam diretamente no desenvolvimento da aprendizagem.
Vamos pensar em atividades que o educador deve desenvolver e citar algumas regras que você vai perceber que são fundamentais para o desenvolvimento dos jogos: observar as regras do jogo; participar quando chamado(a); observar os limites de cada um no jogo; usar as críticas construtivas; fazer com que os jogos sejam um ponto de partida que melhore a qualidade da aprendizagem; usar os jogos de forma planejada, e não para superar imprevistos; manter o equilíbrio entre a ludicidade e o caráter educativo; fazer o sujeito sentir prazer em jogar e no aprender; procurar que todos os envolvidos participem dos jogos; manter os sujeitos motivados durante as atividades propostas; e mesmo quando estiver ensinando, também é momento de aprender.
A escolha do material disparador deve atender às necessidades de cada sujeito, identificadas por ocasião do diagnóstico psicopedagógico, seja a estimulação do desenvolvimento de suas estruturas cognitivas, seja a estimulação de aspectos funcionais ou emocionais que estejam limitando suas possibilidades de aprendizado (BARBOSA, 2010, p. 140).
Essas reflexões ajudam a compreender o quão fundamental e importante é que essas atividades sejam diferenciadas, seguindo estratégias regradas para que a aprendizagem caminhe de forma significativa e seja transmitida pedagogicamente de geração para geração. De acordo com Amaral (2003, p. 229), “[...] essas estratégias são diferenciadas, pois trazem em seu bojo o caráter dialético, instável, ambivalente, ativo e progressivo de uma relação com o conhecimento em uma perspectiva de construção”.
Dessa forma, caro(a) aluno(a), use os jogos e as brincadeiras, para que sejam parte integrante da aprendizagem tanto do educador quanto do educando, pois o ensinar e o aprender devem andar sempre juntos.








