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Unidade 4


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Introdução

Nessa unidade, trabalharemos com a ludicidade dentro dessa intervenção psicopedagógica que viemos apresentando no decorrer das primeiras unidades.

Chegou a hora de agir, intervir, aplicar tudo aquilo que visualizamos no decorrer de todo um trabalho detalhado acerca do sujeito, do meio social em que ele vive, suas relações na instituição educacional e com sua família e tudo isso relacionado com a queixa apresentada e com o plano de ação interventivo.

A prática interventiva exige que o plano de ação diagnóstica seja voltado ao pleno desenvolvimento do sujeito, com atividades lúdicas diferenciadas que visem a aprendizagem na totalidade. Dessa forma, entra todo o trabalho psicopedagógico, que geralmente utiliza-se de atividades utilizadas na psicopedagogia clínica, adaptadas à psicopedagogia institucional.

Desenvolveremos um pouco da aplicabilidade dos jogos dentro da intervenção psicopedagógica e o papel da família e da instituição durante essa intervenção planejada pelo psicopedagogo. Estude, leia bastante acerca dessa importante etapa, que é a intervenção, pois, durante o desenvolvimento da sua prática, será possível recordar tudo aquilo que é importante para esse momento, adequando às necessidades que poderão surgir no decorrer do processo interventivo.

Vamos começar?

O Psicopedagogo e suas Contribuições na utilização da Ludicidade

A intervenção psicopedagógica institucional, caro(a) aluno(a), deve estar atrelada às atividades que envolvam as brincadeiras, jogos e toda a atividade lúdica que seja possível, dentro daquilo que você planeja dentro do seu fazer psicopedagógico. Com isso, todas essas atividades podem ser desenvolvidas em grupos, de maneira que, além de favorecerem o aprendizado, favoreçam as relações interpessoais durante o desenvolvimento dessas atividades propostas.

Normalmente, quando falamos de um educador dentro de sala de aula, geralmente ele utiliza jogos, brincadeiras e demais atividades lúdicas como metodologias para facilitar a aprendizagem dos alunos e despertar maior interesse e prazer a respeito do que está sendo ensinado. Só que você deve perceber, em suas práticas, que muitos docentes não sabem o real significado  da ação interventiva por meio da ludicidade e, principalmente, o momento certo de utilizar a intervenção por meio da ludicidade.

Dessa forma, vamos pensar que o psicopedagogo tem um papel fundamental para auxiliar o docente a como realmente utilizar a ludicidade de maneira que contribua para o desenvolvimento do educando e, dessa forma, com os jogos e outras atividades lúdicas, os resultados obtidos serão satisfatórios.

Ao compreendermos a psicopedagogia e suas reflexões, devemos ter claramente o que realmente é a prática interventiva e a atitude operativa, pois esses conteúdos mostram os objetivos da ludicidade e dos jogos no processo interventivo na aprendizagem.

O psicopedagogo apresenta o papel de como utilizar de maneira correta a ludicidade, ou seja, um mecanismo de mediação, de modo que o objetivo principal seja o desenvolvimento e a aprendizagem do sujeito.

De acordo com Silvia Amaral (2003, p. 229), “[...] temos uma visão acerca dos jogos: o uso de jogos no contexto educacional só pode ser situado corretamente a partir da compreensão dos fatores que colaboram para uma aprendizagem ativa e da definição do seu lugar na sala de aula”.

A utilização da ludicidade requer que o educador tenha consciência de que a estratégia é utilizá-la de forma lúdica e ter uma visão dessa utilização de forma diferenciada, de forma que essa percepção da utilização da ludicidade seja de uma visão que transforme as práticas docentes.  

O conceito de jogos, atividades lúdicas e brincadeiras apresenta diferentes visões de diversos autores. De acordo com Tizuko Morchida Kishimoto (1994, p. 1), “[...] os jogos mostram disputas em partidas, um cachorro que corre atrás de seu brinquedo que você atirou, jogos de tabuleiros com peões, crianças brincando com bichos de pelúcia, um tabuleiro com peões e uma criança que brinca com boneca”. Veja que são várias situações que mostram os jogos e a complexidade de defini-los.

De acordo com Kishimoto (1994, p. 7):

[...] o jogo, brinquedo e brincadeira têm sido utilizados com o mesmo significado, mas na verdade, o brinquedo é entendido sempre como o objeto, suporte da brincadeira. Esta é a descrição de uma conduta estruturada com regras, e jogo designa tanto o objeto quanto as regras do jogo, o brinquedo e a brincadeira.
Figura 4.1 - Jogos e brincadeiras
Fonte: Lopez, 123RF e Oliver, 123RF.

Se pararmos para pensar no real significado desses conceitos (jogos e brincadeiras), vamos pensar que eles possibilitam o sujeito a enxergar de outra maneira o mundo que lhe é externo por meio de conteúdos simbólicos, e isso permite que a ludicidade seja utilizada a favor do docente e dos profissionais que atuam junto a ele.

Os docentes pertencentes a cada instituição deveriam receber formações continuadas sobre como utilizar a ludicidade nas suas práticas pedagógicas, a fim de que essa ludicidade nas instituições sejam metodologias auxiliares e fundamentais no processo ensino-aprendizagem. Essas atividades lúdicas devem ser vistas como algo espontâneo para o docente, ou seja, ele deve sentir-se bem à vontade para inseri-las nas suas práticas pedagógicas, para que exista prazer e disposição em fazer acontecer.

De acordo com Amaral (2003, p. 230):

[...] o uso do jogo é formativo em dupla mão de direção: junto ao aluno e ao professor. Para o professor, o jogo tem potencial de promover novas e melhores formas de ensinar, em geral, para qualquer disciplina, diferentes maneiras de interagir com a turma e de se posicionar dentro da sala de aula, como coordenador das atividades e facilitador do aprender do aluno em vez de centro irradiador das decisões e do saber.

Para que haja o desenvolvimento desta ludicidade que estamos evidenciando aqui, a instituição deve apresentar um espaço adequado para o desenvolvimento das atividades planejadas e, dessa forma, o educando adquire sua espontaneidade e o educador autonomia para desenvolver o que propõe e alcançar os objetivos.  

A Importância Educativa dos Jogos

As atividades lúdicas, de uma maneira geral, devem ser vistas como mecanismos que dão um ressignificado aos conteúdos, fazendo com que o sujeito da aprendizagem compreenda, de fato, sua aprendizagem. Muitos educandos, ou até mesmo os docentes, veem os jogos como um momento de descanso, no qual haverá uma folga daquilo que estava sendo visto no desenvolvimento dos conteúdos, na forma tradicional do ensino.

Além disso, podemos ressaltar que os docentes, com os jogos, podem trabalhar assuntos essenciais na aquisição de conhecimentos, desenvolvendo, assim, funções lógicas, afetivas e sociais.

Figura 4.2 - A importância do jogar
Fonte: Elaborada pela autora.

Os jogos fazem com que os sujeitos envolvidos nas intervenções consigam pensar nas ações futuras, pois possibilitam uma visão mais detalhada acerca do conteúdo que será estudado, impedindo que haja conflitos.

O docente que utiliza dos jogos faz com que o aluno desenvolva uma visão mais concreta acerca do seu cotidiano. Com os jogos, o educando passa a se autoconhecer, seus pontos fracos, fortes e, mesmo que haja erros (o que pode acontecer, mas deve-se tentar evitar), esse educando se sentirá motivado a superar seus limites e erros.

Dessa forma, todo educador deve ter consigo que a brincadeira e a aprendizagem andam juntas, e não desassociadas, como muitas instituições evidenciam ou aplicam em suas práticas educativas. As atividades lúdicas complementam a aprendizagem, complementam os conteúdos e, além disso, proporcionam o desenvolvimento psicológico, motor, emocional e cognitivo, além de desenvolverem as capacidades de pensar e agir do sujeito.

De acordo com Visca (1996, p.73), “[...] os jogos podem ser classificados em lógicos, afetivos e sociais. Cada um deles evidencia as habilidades dos sujeitos”. Vamos saber mais sobre cada classificação, a seguir.

Jogos Lógicos

Os jogos lógicos são aqueles que envolvem o raciocínio e a lógica.

De acordo com Visca (1996), em um dos estudos realizados por ele, os jogos podem ser classificados de acordo com o que conta a história da humanidade, de acordo com situações vividas por outros povos e assim sucessivamente.

Primeiro grupo de jogos É o grupo de onde se origina o povo chinês, que é um povo que se caracteriza por ter medo do que não conhece, ou seja, sempre procuravam descobrir as características de tudo para enfrentarem as situações. Dessa forma, criaram jogos com de búzios de pedra e madeira, jogos com pontos e desenhos que originaram os dados, os dominós e as cartas de baralho. Os jogos desse grupo mostram as relações de correspondências termo a termo, relação figura x numeral, noções de classificação, de seriação e compensação.
Segundo grupo de jogos   Originário dos povos da Índia, que, por terem medo dos inimigos desenvolveram o jogo chamado chaturana. De acordo com estudos realizados, talvez essa seja a origem dos jogos de xadrez e dama. Os jogos deste grupo visam o desenvolvimento da inteligência e da socialização, desenvolvendo noções de espaço, motricidade, percepção e assim sucessivamente.
Terceiro grupo de jogos Este grupo tem por finalidade encontrar situações que impedem que os sujeitos se percam. A origem deste grupo está com os fenícios, cujas atividades principais estavam direcionadas à navegação com movimentação em espaços unidimensionais, bidimensionais e tridimensionais.
Quarto grupo de jogos Está ligado aos povos contemporâneos que visam um maior conhecimento nos aspectos psicológicos. Aqui, temos Piaget, que trata dos jogos. Exemplos desse tipo de jogos: Jogo da vida, Cara a Cara, Imagem & Ação, Senha, Lince etc.

Quadro 4.1 - Grupos de jogos
Fonte: Adaptado de Visca (1996, p. 15).

Jogos Afetivos e Sociais

Quando falamos dos jogos afetivos, devemos ter conosco que estes estimulam a emoção e que os sociais estão relacionados à aquisição de atitudes provenientes do meio no qual o sujeito se insere.

Trabalhamos os jogos afetivos e sociais conjuntamente, pois eles se relacionam diretamente entre si. Eles se classificam em:

  • Autodescoberta – ao analisar a si próprio, o educando aprende a conhecer o que há de mais complicado na sua aprendizagem e o que ele aprende mais facilmente. Com esse autoconhecimento, aprende a trabalhar com suas potencialidades e a melhorar suas limitações.
  • Autonomia – realiza uma análise do cotidiano, do que ocorre no dia a dia e toma decisões.
  • Autoestima – é quando o educando consegue superar seus limites e expectativas por meio dos jogos, recuperando a confiança em si e na sua capacidade. Essa autoestima pode ser trabalhada por meio dos jogos (desafios presentes) e com a superação que fornece ao educando a confiança
  • Convívio – é o momento em que os educandos passam a conhecer uns aos outros e aceitam as diferenças.
  • Cooperação – é onde os jogadores superam obstáculos, tomando como base as habilidades individuais.
  • Capacidade de liderar e ser liderado – quando falamos nos jogos, sabemos que estes devem ser generalizados e vívidos. É dessa forma que o sujeito aprende a ser crítico, a analisar, coordenar e orientar.

Funções que podem ser desenvolvidas pelos Jogos

Quando nos referimos aos jogos lógicos, afetivos e sociais, podemos dizer que, além de apresentaram a ludicidade como ponto de partida, auxiliam o sujeito a enfrentar os problemas que possa encontrar durante o processo de ensino-aprendizagem

Existem algumas funções características que são desenvolvidas por meio da ludicidade dentro das instituições escolares. Essas funções estão representadas no esquema a seguir:

Figura 4.3 - As funções desenvolvidas por meio da ludicidade
Fonte: Elaborada pela autora.

Vamos pensar que cada uma das funções que são desenvolvidas por meio da ludicidade são de extrema importância para o desenvolvimento do sujeito. Nós, enquanto docentes, e você, enquanto futuro psicopedagogo, devemos ter em mente que é necessário saber “dosar” cada uma dessas funções e desenvolvê-las de maneira adequada, a fim de que tenhamos um sujeito equilibrado e com suas funções psicossociais a favor do sujeito e da sociedade.

SAIBA MAIS

Intervenções psicopedagógicas

Você já deve ter pensado, em diversas situações cotidianas, que tão difícil quanto realizar um diagnóstico é aplicarmos as técnicas de intervenção de maneira consciente. Dessa forma, o artigo “Eixos de interesse: pontes para o aprendizado e desenvolvimento de todos os alunos” fará você refletir acerca das intervenções psicopedagógicas. Acesse o link: https://cutt.ly/EfES38R.

Fonte: elaborado pela autora.

O Trabalho do Educador com os Jogos

Caro(a) aluno(a), você, como educador(a), deve ter em mente que essa ludicidade dentro da instituição escolar deve fazer parte da intervenção do psicopedagogo, das atividades cotidianas que complementam e atuam diretamente no desenvolvimento da aprendizagem.

Vamos pensar em atividades que o educador deve desenvolver e citar algumas regras que você vai perceber que são fundamentais para o desenvolvimento dos jogos:  observar as regras do jogo; participar quando chamado(a); observar os limites de cada um no jogo; usar as críticas construtivas; fazer com que os jogos sejam um ponto de partida que melhore a qualidade da aprendizagem; usar os jogos de forma planejada, e não para superar imprevistos; manter o equilíbrio entre a ludicidade e o caráter educativo; fazer o sujeito sentir prazer em jogar e no aprender; procurar que todos os envolvidos participem dos jogos; manter os sujeitos motivados durante as atividades propostas; e mesmo quando estiver ensinando, também é momento de aprender.

A escolha do material disparador deve atender às necessidades de cada sujeito, identificadas por ocasião do diagnóstico psicopedagógico, seja a estimulação do desenvolvimento de suas estruturas cognitivas, seja a estimulação de aspectos funcionais ou emocionais que estejam limitando suas possibilidades de aprendizado (BARBOSA, 2010, p. 140).

Essas reflexões ajudam a compreender o quão fundamental e importante é que essas atividades sejam diferenciadas, seguindo estratégias regradas para que a aprendizagem caminhe de forma significativa e seja transmitida pedagogicamente de geração para geração. De acordo com Amaral (2003, p. 229), “[...] essas estratégias são diferenciadas, pois trazem em seu bojo o caráter dialético, instável, ambivalente, ativo e progressivo de uma relação com o conhecimento em uma perspectiva de construção”.

Dessa forma, caro(a) aluno(a), use os jogos e as brincadeiras, para que sejam parte integrante da aprendizagem tanto do educador quanto do educando, pois o ensinar e o aprender devem andar sempre juntos.

A Utilização da Caixa de Trabalho pelo Psicopedagogo na Instituição  

Os docentes, dentro da instituição, têm vivenciado diversas situações que denotam problemas de aprendizagem, e isso leva os docentes a procurarem soluções e auxílios para esses problemas complexos.

O docente deve ter em mente qual é o seu real papel dentro da sala de aula, pois acerca dele são voltados os olhares das atitudes que irá tomar para solucionar os problemas e, também, na hora de ensinar e transmitir os conhecimentos do dia a dia associados aos conhecimentos científicos. Dessa forma, caro(a) aluno(a), perceba que o docente deve ter uma análise profunda acerca dos educandos, porém ele não é o responsável por realizar o diagnóstico, e sim, aqui, podemos citar o psicopedagogo para participar dessa importante fase que é o diagnóstico.

De acordo com Barbosa (2001, p. 366):

[...] é preciso mexer no conhecimento, compartilhar e construir conhecimento, sentir a inquietação frente ao novo. O aluno precisa ser protagonista da transformação social, aprender a utilizar os instrumentos do seu tempo e, principalmente, aprender a conviver superando esta onda de desvalores, de violência, de corrupção e de preocupação desmedida com o ter.

Vamos voltar nosso olhar acerca da psicopedagogia dentro da instituição. É do psicopedagogo que podemos esperar todo o diagnóstico e todo o relatório com a intervenção que deve ser realizada pelos docentes dentro de sala de aula. Quando o docente compreende todo o papel que deverá desempenhar dentro da instituição, temos configurada, dessa forma, a intervenção com o sucesso esperado.

Barbosa (2001, p. 366) complementa:

A ressignificação do não saber, condição necessária para haver aprendizagem, pode deflagrar uma reflexão sobre as formas de ensino/aprendizagem, sobre o conhecimento e sua função no mundo de hoje. Faz-se necessário confrontar elementos, tais como a dúvida e a certeza, a disciplina e a indisciplina e a interdisciplinaridade, a linearidade e a transversalidade, a ciência e a consciência, o pensar e o agir, o sentir e o compartilhar, entre outros.

O psicopedagogo deve ser visto como alguém que auxilie o docente a realizar a intervenção, pois o diagnóstico já deve ter sido feito pelo psicopedagogo, ou seja, cabe ao educador aplicar as atividades interventivas, de forma que a intervenção seja significativa.

Falando em caixa de trabalho, temos que recordar a epistemologia convergente. A epistemologia convergente é um instrumento de intervenção na aprendizagem, tema abordado por Visca (1996). Esse tipo de aprendizagem é caracterizado pela perspectiva interacionista que deve tomar como base um fazer psicopedagógico amplo.

A caixa de trabalho na intervenção psicopedagógica é um recurso que auxilia o docente no seu fazer pedagógico e no desenvolvimento de novas práticas educativas.

A psicanálise utilizou a caixa de trabalho como ludoterapia (trabalho psicanalítico desenvolvido com crianças utilizando a caixa de trabalho), e a criança depositava em todas as atividades da caixa significados, conteúdos e projeções particulares.

Caro(a) aluno(a), a caixa psicopedagógica é um recurso didático que, apesar de ser muito utilizado na psicopedagogia clínica, também pode ser utilizado na psicopedagogia institucional, basta que haja a adaptação correta, de acordo com a necessidade de cada diagnóstico.

A utilização da caixa de trabalho só atinge a finalidade prevista com tudo o que foi proposto dentro dela, sejam atividades apenas verbais ou que façam uso das estruturas corporais.

De acordo com Barbosa (2002, p. 4), alguns pontos devemos ter conosco acerca de como melhor organizar a caixa de trabalho, após o diagnóstico.

1. idade cronológica e idade de desenvolvimento;
2. interesses;
3. características socioculturais;
4. sexo;
5. facilidades e dificuldades;
6. funcionamento para aprender e diferenças funcionais;
7. nível de apropriação da linguagem escrita;
8. vínculos afetivos estabelecidos com as situações de aprendizagem.

A intervenção psicopedagógica requer um diagnóstico preciso. Portanto, a elaboração e montagem da caixa devem seguir o diagnóstico realizado. Quando há mudanças na prática interventiva, dizemos que deve existir o que chamamos de enquadramento.

Como Operacionalizar a Caixa de Trabalho

O docente deve estar disposto a trabalhar com o novo, desde o saber trabalhar com a caixa de trabalho a como fazer deste recurso o ponto forte do processo de ensino-aprendizagem. Deve estar bem preparado e saber conduzir as diversas situações que possam surgir, sejam estas positivas ou negativas, de forma a sempre levá-las ao aprendizado.

Para que a caixa de trabalho seja uma ferramenta que acrescente no trabalho pedagógico do docente, este deve estar consciente de duas coisas. A primeira é conhecer o grupo no qual o trabalho será desenvolvido, tanto nas questões intelectuais quanto físicas, psíquicas, culturais, sociais e assim sucessivamente. Após esta ação, ele deve considerar o objetivo que quer alcançar ao propor este trabalho, relacionando os conteúdos da caixa com os conteúdos científicos que quer alcançar.

Utilizar a caixa de trabalho requer um conhecimento bastante significativo acerca do recurso. Pode-se organizar a turma em grandes ou pequenos grupos, e com materiais bem específicos que sigam de encontro aos objetivos propostos para o trabalho. Ou seja, a escolha dos materiais deve ser bem criteriosa, que provoque o interesse dos educandos e que não esgote os limites, sendo prazerosa.

Caro(a) aluno(a), seja ciente da importância de utilizar materiais simples, como lápis, borracha, revistas, cola, tesoura, papéis coloridos, massa de modelar, tintas e outros materiais que sejam mais estruturados (como as regras dos jogos).

A caixa deve ser personalizada pelo aluno e este aluno deve escolher, com base nos materiais que o docente separou, o que melhor se encaixa no trabalho. É importante que a caixa seja guardada com segurança, para que seja manuseada somente pelo grupo que a construiu.

A caixa de trabalho deve proporcionar atividades que, além das convivências internas no grupo, possibilitem a convivência e interação entre os grupos, pois essa interação desenvolve a aprendizagem.

De acordo com Maria Lúcia Weiss (1992, p. 77), a ludicidade, quando utilizada para se fazer o diagnóstico psicopedagógico, é importante porque ajuda o docente a analisar seus educandos durante a interação nas atividades grupais. Dessa forma, os objetivos do trabalho em grupo, para a autora Weiss (1992, p. 77), devem ser:

1. Escolha do material;
2. Escolhem materiais que automatizem as ações;
3. Repetição de atitudes do cotidiano escolar;
4. Selecionam material figurativo;
5. Buscam material mais plástico, de fácil criação;
6. Escolhem materiais de sucata e os transformam.
7. Modo de operar;
8. Usam o material que está mais ao alcance das mãos;
9. Não há exploração;
10. Exploram todo o material e depois fixam a atenção em um;
11. Escolhem materiais planejando uma brincadeira;
12. Fazem estimativas, cálculos, medidas;
13. Estruturam as brincadeiras em começo, meio e fim;
14. Há coerência interna, antecipação e planejamento nas atividades;
15. Dão ou não uso ao que fazem;
16. Permitem flexibilidade;
17. Concluem as atividades;
18. Começam a atividade e a interrompem;
19. Permanecem concentrados, dão continuidade às ativi­dades;
20. Desmancham, separam, dividem;
21. Em situações dramatizadas assumem papéis, normas e regras com facilidade;
22. Como resolvem as situações-problema;
23. Como usam o corpo.

Depois de estabelecidas as regras de trabalho com a caixa de trabalho, não se deve esquecer da relação entre educador e educando, pois esta relação promove o desenvolvimento do docente como profissional e do educando como cidadão.

As Inteligências Múltiplas e a Intervenção Psicopedagógica

Quando falamos de intervenção psicopedagógica, não podemos deixar de citar/ mencionar a teoria das inteligências múltiplas, pois ela nos possibilita compreender o processo de aprendizagem.

Vamos começar falando do conceito de inteligência. A inteligência é  a capacidade necessária para levar o sujeito à aprendizagem e, também, para que problemas sejam resolvidos, produzindo os resultados esperados. Esse conceito pode ter diferentes interpretações e varia de cultura para cultura e de acordo com a época na qual está inserido.

Vamos conhecer, caro(a) aluno(a), essas teorias e modelos cognitivos que justificam a evolução da percepção acerca desse conceito.

Psicométrica Quantitativa.
Sociocognitiva Experiência.
Teoria genética Analítica/padrões universais.
Histórica-cultural Aprendizagem e desenvolvimento.
Inteligência artificial Equivalência e computador/mente. humana
Triárquica Tridimensional.
Modular Redes, módulos, inteligências.

Quadro 4.2 - Inteligências múltiplas
Fonte: Gardner (2001, p. 115).

A noção de inteligência deve ser baseada no que o sujeito tem capacidade de aprender. Essa capacidade está diretamente ligada às atividades mentais que permitem esse aprendizado.

Não devemos esquecer que as relações existentes entre as funções cerebrais e a inteligência têm o cérebro como um sistema aberto, que constantemente interage com o meio no qual o sujeito se insere, com capacidade de adaptação e facilidade de relacionar-se com o meio.

Quando pensamos nas inteligências múltiplas, devemos ter em mente que elas variam de pessoa para pessoa e possuem diferentes níveis de valor, sempre combinados, sendo estes valores independentes, em alto nível de capacidade, o que, em uma inteligência, não significa um nível igualmente alto em outra. Diante disso, caro(a) aluno(a), você, enquanto psicopedagogo(a), dificilmente vá encontrar pessoas com as mesmas características dentro das inteligências, pois elas têm origem genética associada às condições de vida, culturais e de uma época. No decorrer do processo evolutivo do ser humano, devemos saber que há diversas maneiras de conceituar as inteligências múltiplas, e cada sujeito pode apresentar sua inteligência de diversas maneiras, de forma singular, conforme mencionamos anteriormente.

De acordo com ­Gardner (2001, p. 117):

[...] a inteligência vai além da concepção monolítica; ela adota uma visão pluralista, que descreve a competência cognitiva como um conjunto de inteligências cientificamente definidas. A inteligência é algo que se modifica e desenvolve em função das experiências que o indivíduo tem ao longo de seu desenvolvimento, isto é, ela é resultado de fatores biológicos e ambientais.

Para Gardner (2001), o indivíduo possui oito inteligências dadas pelo alto grau de competência, onde estas inteligências não se relacionam entre si, mas interagem dentro de um sistema complexo.

Gardner (2001, p. 118) classifica essas inteligências conforme o quadro a seguir:

Inteligência linguística Refere-se à fala, e todos os sujeitos expressam suas criatividades e a coerência da linguagem, da fala e da escrita.
Inteligência lógico-matemática A característica desta inteligência é a capacidade de seguir padrões, ordem e sistematização. O sujeito demonstra uma habilidade de raciocínio, em interpretar e resolver problemas. Aqui estão inseridos os matemáticos, cientistas, engenheiros entre outros.
Inteligência musical É o chamado “ouvido musical”, a capacidade de escrita de músicas, fazer musicais, discernir rítmos. Esta inteligência é presente em compositores, maestros e músicos.
Inteligência espacial É a capacidade de analisar o mundo espacial, manipular formas ou objetos mentalmente e, dessa forma, representar o espaço visual ou espacial. É a inteligência presente nos artistas plásticos, engenheiros e arquitetos.
Inteligência interpessoal É a capacidade de entender e saber receber os humores, temperamentos, motivações e desejos presentes nas outras pessoas. A percebemos nos psicoterapeutas, professores, políticos e vendedores bem sucedidos.
Inteligência intrapessoal   É a compreensão dos próprios sentimentos, sonhos, ideias, necessidades, desejos e inteligências próprias. Capacidade de autoanalisar-se.
Inteligência naturalista Percepção e a categorização dos objetos naturais, a flora e a fauna. Geralmente a encontramos em biólogos, botânicos, zoólogos entre outros.
Inteligência sinestésica.   É a habilidade de usar a coordenação motora grossa ou fina, utilizando o domínio do corpo, ou seja, usada em esportes, artes cênicas ou plásticas.

Quadro 4.3 - Classificação das inteligências múltiplas
Fonte: Gardner (2001, p. 118).

Depois de detalharmos separadamente cada uma das inteligências, a imagem a seguir resume o que cada uma delas trabalha. Vamos analisar relacionando o quadro anterior com a imagem a seguir?

Figura 4.4 - Os tipos de inteligência
Fonte: Vectorcreator / 123RF;  Krauchuk / 123RF(a); Krauchuk / 123RF(b); Krauchuk / 123RF(c); Krauchuk / 123RF(d); Yupiramos / 123RF; Tsirik / 123RF e Lembergvector / 123RF.

É dessa forma que devemos ter a percepção acerca das inteligências múltiplas, ou seja, compreender a forma com que o ser humano busca seus conhecimentos e se desenvolve. Dessa forma, o docente deve ter uma visão centrada no ser humano, sabendo analisá-lo e reconhecer a inteligência de cada um para desenvolver as outras que não sejam da habilidade do sujeito da melhor maneira possível.

O Trabalho com Projetos dentro da Psicopedagogia

Quando falamos do trabalho com projetos, estamos nos referindo a todo um planejamento de uma ação psicopedagógica, buscando uma nova metodologia para provocar uma mudança de ações dentro da instituição. Dessa forma, trabalhando com projetos, podemos buscar a interdisciplinaridade, buscando ampliar os conhecimentos, propondo uma problematização, rompendo a separação das disciplinas, da fragmentação dos conteúdos. Assim, é possível desenvolver as competências políticas, culturais, éticas, emocionais e reflexivas com os educandos envolvidos nos projetos.

Para que um projeto seja bem conduzido, é de extrema importância que os docentes tenham uma formação consistente, a fim de que o projeto proposto tenha uma ação transformadora do sujeito e do sujeito em relação à sociedade. Espera-se que estes sujeitos sejam questionadores e pesquisadores, para que os paradigmas emergentes com o projeto tenham os objetivos alcançados.

O docente, além de desenvolver suas competências profissionais, deve ser um articulador do conhecimento desse processo de ensino-aprendizagem dentro do projeto proposto, para não somente reproduzir os conteúdos, mas despertar uma nova maneira do sujeito aprender.

Maria Sílvia Bacila Winkeler (2000, p. 36) reforça sobre a importância de integrar o projeto com as exigências sociais da atualidade, ou seja, essas exigências necessitam que o docente/psicopedagogo busque conhecimentos para atingir a qualidade esperada acerca do conhecimento, em que “[...] o aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a viver junto e aprender a compreender a importância do aprender, sejam requisitos básicos para formar cidadãos conscientes de seus talentos, de suas possibilidades e com valores definidos”.

Perceba que a prática pedagógica deve estar voltada à criação como processo necessário para a existência humana, onde os projetos propostos não devem ter um formato definitivo, engessado, acabado, para abrir espaço para a criatividade de uma forma dinâmica na busca de uma nova realidade institucional e para o sujeito.

A Realização e o Modelo de um Projeto

Os projetos podem ser vistos como uma forma de sistematizar os conhecimentos escolares cujo objetivo principal seja fazer com que os educandos desenvolvam estratégias para organizar os conhecimentos e as informações a serem desenvolvidas.

Um projeto, além de envolver um bom planejamento, deve envolver um ambiente favorável que permita ao aluno participar ativamente, sentindo-se motivado e livre para agir dentro da proposta. O segredo do projeto atingir os objetivos é que o aluno seja consciente da importância de cada etapa até chegar à construção do conhecimento.

Devemos ser sempre conscientes de que, para trabalhar com projetos, não temos receitas prontas para o sucesso, mas devemos saber formular todos os objetivos e conduzir bem as ações no decorrer do desenvolvimento desses projetos para que se chegue aos objetivos planejados. Dessa forma, Behrens (1999) elaborou cinco etapas importantes para a construção dos projetos.

  • Primeiro momento: Refere-se à problematização, onde o assunto é apresentado e, também, é o momento em que o docente deve motivar os alunos a começarem a se integrar na discussão. O docente deve deixar claro todos os passos, normas, avaliações e demais etapas que permeiam o projeto, de forma que este projeto possa ser alterado quando for necessário.
  • Segundo momento: É o momento onde o tema é pesquisado e de preferência que essa pesquisa seja realizada de forma individual e orientada pelo educador. Deve-se considerar todos os tipos de pesquisas existentes, pois atualmente essa diversidade é grandiosa.
  • Terceiro momento: Programar o tempo previsto para essa parte realizada de forma individual no segundo momento e, a seguir, neste terceiro momento, dividir a turma em grupos menores e instruir a interação entre os componentes do grupo para confrontar as respostas obtidas por meio da pesquisa. Se necessário, o professor pode intervir neste passo dentro desse grupo, de forma que não interfira diretamente na discussão grupal, apenas mediando o processo.
  • Quarto momento: é o momento em que os resultados da pesquisa serão apresentados para os demais grupos, a fim de que sejam apresentadas as conclusões acerca das pesquisas realizadas. Deve-se uniformizar essas técnicas de apresentação, o que pode ser feito por meio de seminários, debates, com o auxílio da tecnologia ou outras formas que se adequem melhor ao formato e ao tema do trabalho.
  • Quinto momento: após os debates e apresentação da pesquisa, deve-se sistematizar os conceitos, a fim de que estruturas cognitivas sejam reequilibradas. A criatividade é importante para que sejam registradas todas as diferentes formas de expressão acerca do que foi estudado.

O papel do docente é o de mediador entre o educando e o conhecimento, ou seja, o docente é formador de opinião, formador de cidadãos, formador de sujeitos críticos e reflexivos, e estar consciente que sempre tem algo a aprender, inovando-se e renovando-se a cada dia. É dessa maneira que, o docente atua como mediador, pois interage com seus alunos e com os objetos de conhecimento, de acordo com a orientação didática que assume.

Trabalhar com projetos faz com que o docente, juntamente com a equipe pedagógica, organize todos os seus planos de trabalho, escolha os livros e materiais didáticos e desenvolva as atividades de sala de aula, a fim de que o foco seja a aprendizagem dos sujeitos envolvidos.

De acordo com Emília Ferreiro e Ana Teberosky (1979, p. 57):

[...] é preciso ter presente que ao aprendiz como sujeito de sua prática de aprendizagem corresponde, necessariamente, um professor sujeito da sua prática docente e, para construir a sua competência, o único caminho é o da reflexão sobre a sua prática.

O desenvolvimento de projetos é um meio com a qual podemos desenvolver nos nossos educandos um despertar para a cidadania, a consciência ambiental, espiritual, ecológica, relacional, pluralista, interdisciplinar e sistêmica, promovendo hábitos, valores e consciência como cidadão.

É de extrema importância que o docente esteja preparado para assumir o papel de mediador e, com seus alunos, atue como construtor do conhecimento, sendo consciente do seu papel perante a sociedade atual.

Intervenção Psicopedagógica

Já vimos e discutimos um pouco sobre como ocorre o processo de intervenção dentro da escola, desde o seu princípio, que é o prognóstico.

Primeiro, vamos pensar num possível roteiro de ação psicopedagógica:

1- Vamos trabalhar para reconhecer qual é o problema, ou seja, identificá-lo.

2- Depois, devemos colher os dados por meio das entrevistas, questionários de anamnese, entre outros meios, para identificar os problemas e causas.

3- Verificar o campo social no qual o sujeito está inserido e as relações que o sujeito exerce com a sociedade.

4- Levantar hipóteses por meio dos instrumentos aplicados.

5- Relatar um diagnóstico completo e detalhado acerca do que está sendo avaliado, da queixa apresentada.

6- Intervir de acordo com o que foi apresentado no plano de ação, utilizando-se de instrumentos e metodologias eficazes.

Projetos Psicopedagógicos: Passos que Devemos Seguir

Para elaborarmos um projeto, devemos seguir alguns passos importantes que, geralmente, aprendemos como elaborar nas disciplinas de Metodologia Científica dos cursos de graduação e pós-graduação. Vamos lá?

São eles:

1. Escolha do tema a ser trabalhado;

2. Definir os objetivos gerais que a instituição quer alcançar;

3. Esclarecer quais são os objetivos específicos que se quer alcançar com o tema;

4. Apontar o objetivo do projeto, de acordo com o Projeto Político Pedagógico Escolar;

5. Escrever a justificativa de realização deste projeto;

6. Apontar as metodologias a serem alcançados e atividades propostas;

7. Escrever os resultados dessa pesquisa;

8- Propor um cronograma, de acordo com o projeto que será desenvolvido;

10. Escrever a conclusão do projeto.

Os passos para o desenvolvimento de um projeto já foram apresentados para você. Pode ser que esses passos variem de acordo com o psicopedagogo que o elabora, porque, muitas vezes, na instituição em que você trabalhará, haverá um modelo pronto e talvez mais sucinto. Podemos, assim, afirmar que não existe uma receita pronta para desenvolver um projeto, mas um olhar atento acerca do grupo no qual ele será desenvolvido para fazer o melhor que for possível, visando o desenvolvimento do sujeito e sua aprendizagem.

Proposta de Projeto Psicopedagógico

A seguir, veremos uma proposta de projeto psicopedagógico:

  • Tema do projeto: muito além dos números.
  • Ano: Infantil - 5º ao 1º ano.
  • Disciplinas envolvidas: Matemática, Língua Portuguesa e Filosofia.
  • Objetivos gerais: com este projeto, vamos desenvolver nos alunos a noção de quantidade envolvida em ilustrações, como se escreve cada imagem representada e quantas letras possui a palavra que representa cada grupo de imagens.
  • Objetivos específicos: associar as imagens com a quantidade existente nelas; associar letras e números; interpretar problemas por meio de imagens dadas, relacionar; desenvolver a noção silábica; desenvolver a coordenação motora grossa e fina na elaboração do material didático e execução do projeto.
  • Justificativa do projeto: muitas crianças apresentam dificuldades de interiorizar a contagem básica dentro de situações simples do cotidiano. Além disso, essa é a fase em que a criança começa a ter noção das sílabas que estão nas palavras e a quantidade de letras que compõem essas palavras. É com base nessa justificativa que estamos desenvolvendo esse projeto.
  • Metodologias e métodos: distribuir cartolinas para que as crianças construam cartões com as sílabas que compõem as palavras.

Posteriormente, construir cartões contendo números.

Por fim, o professor deve distribuir as imagens dos grupos de figuras para que o aluno as cole nas cartolinas e construa os cartões com essas imagens.

Em uma grande cartolina, ir montando as imagens com essas referidas associações e formações das palavras.

Figura 4.5- Cartões com sílabas e imagens para associações e formações das palavras
Fonte: Adaptado de Andegro4ka / 123RF; Arcady31 / 123RF; Arijanto / 123RF; Ladyann / 123RF; Mujiono(a) / 123RF; Mujiono(b) / 123RF; Mujiono(c) / 123RF; Mujiono(d) / 123RF; Mujiono(e) / 123RF; Rohim / 123RF e Sinaappel / 123RF.

Veja também, por meio dos quadros a seguir, como fica disposta esta atividade na folha de cartolina:

Figura 4.6 - Atividade de associação e formação de palavra I
Fonte: Elaborado pela autora.

Ou ainda, podemos fazer da seguinte forma:

Figura 4.7- Atividade de associação e formação de palavra II
Fonte: Elaborado pela autora.

Ou ainda, podemos fazer dessa forma:

Figura 4.8 - Atividade de associação e formação de palavra III
Fonte: Elaborado pela autora.
  • Resultados esperados: que os alunos desenvolvam a junção silábica e as noções básicas de leitura e quantidades numéricas associadas às imagens e palavras formadas por meio delas.

O Cronograma pode ser descrito da seguinte forma:

  Semana 1 Semana 2 Semana 3 Semana 4 Semana 5 Semana 6 Semana 7 Semana 8 Semana 9 Semana 10
Março Confecção dos cartões referentes às sílabas e aos números. Confeccionar uma caixa com ambientes separados para separar cada cartão.            
Abril         Construção dos cartões da imagem, da cartolina com a base das palavras e receber as instruções, regras do projeto e objetivos do jogo.      
Maio               A cada semana, jogar um pouco a fim de que essa aprendizagem seja concretizada.

Quadro 4.4 - Cronograma de atividades
Fonte: Elaborado pela autora.

  • Conclusão:  Finalizar o projeto durante o decorrer das semanas, com atividades que fixem a aprendizagem do projeto.

Este é um exemplo de projeto pedagógico que pode ser utilizado para auxiliar o ensino da Língua Portuguesa, da Matemática e da Filosofia e no desenvolvimento da criança, mas pode ser adaptado para qualquer área e temática de ensino.

REFLITA

Inteligências múltiplas

No decorrer desta unidade, falamos da importância das inteligências múltiplas em busca do conhecimento de cada sujeito e conseguimos compreender que cada uma delas desempenha uma importância ímpar.

Assim, pense um pouco sobre as inteligências múltiplas de Gardner:

Gardner afirma que todas as pessoas possuem cada um dos oito tipos de inteligência, embora cada tipo seja mais desenvolvido em algumas pessoas do que em outras, todos os oito tipos tem a mesma importância e não há uma mais valiosa que a outra. Em geral, precisamos utilizá-las para enfrentar a vida, independentemente da ocupação realizada. Afinal, a maioria dos trabalhos requer o uso da maioria dos tipos de inteligência. A educação ensinada na sala de aula é um procedimento destinado a avaliar os dois primeiros tipos de inteligência: linguística e lógica matemática. No entanto, esta educação é totalmente inadequada para educar os alunos na plenitude do seu potencial. A necessidade de mudança no paradigma educacional foi trazida à discussão pela Teoria das Inteligências Múltiplas de Gardner (SOUZA, 2015, on-line).

Fonte: Adaptado de Souza (2015, on-line)

Indicação de leitura

Psicopedagogia Institucional Aplicada: A Aprendizagem Escolar Dinâmica e Construção na Sala de Aula

Editora: Editora Vozes

Autor: Zélia Del Rio do Vale, Eloisa Quadros Fagali

Ano: 2011

ISBN: 9788532610904

Comentário: As autoras deste livro contam suas experiências profissionais como educadoras e psicólogas, e com isso objetivam mostrar técnicas e métodos que são importantes para o aprimoramento dos conhecimentos e da qualidade do ensino.

Atividade

O lúdico é uma importante ferramenta na educação e na intervenção psicopedagógica institucional Os jogos, as brincadeiras e demais atividades lúdicas podem ser desenvolvidos individualmente e em grupos, favorecendo o aprendizado e as relações interpessoais. Considerando a temática da ludicidade, assinale a alternativa correta sobre o assunto:

O psicopedagogo não tem capacidade técnica para auxiliar o docente na utilização do lúdico para a aprendizagem.

Incorreta: pois o psicopedagogo tem papel fundamental para auxiliar o docente a como realmente utilizar a ludicidade, de maneira a trazer real contribuição para o desenvolvimento do aluno e alcançar resultados satisfatórios.

A utilização da ludicidade requer que o educador tenha consciência dos objetivos a serem alcançados.

Correta: pois a utilização da ludicidade requer que o educador tenha consciência dos objetivos a serem alcançados, pois muitos docentes não sabem o real significado da ação interventiva por meio da ludicidade e o momento certo de utilizar tal intervenção.

A utilização do lúdico no ambiente educacional é aconselhável, contudo, deve ser usado somente como fonte de entretenimento.

Incorreta: pois, mais do que um simples entretenimento, utilizar o lúdico como ferramenta de aprendizagem é permitir que o sujeito possa enxergar o mundo de outra maneira, a partir de conteúdos simbólicos vivenciados na brincadeira e que auxiliarão no desenvolvimento daquele sujeito.

O lúdico tem importância na instituição escolar somente porque ele pode ser utilizado como momento de descanso entre as aulas.

Incorreta: pois as atividades lúdicas, de modo geral, servem como possibilidade de ressignificação aos conteúdos, permitindo que o sujeito esteja envolvido e compreenda a sua própria aprendizagem, e isso não pode ser considerado como um simples momento de descanso.

As atividades lúdicas devem ser vistas como uma substituição da aprendizagem e não como um complemento.

Incorreta: pois as atividades lúdicas e a aprendizagem andam juntas, uma vez que o lúdico serve como complemento da aprendizagem e dos conteúdos, além de possibilitar o desenvolvimento motor, cognitivo e emocional, bem como das capacidades de agir e pensar.

Atividade

A Educação Infantil é considerada uma das mais importantes etapas de formação das crianças, pois é o momento no qual elas têm a oportunidade de ampliar a sua rede de contato, fazer novas descobertas, explorar a sua capacidade cognitiva, ampliar o seu conhecimento cultural e entrar em contato com uma aprendizagem mais direcionada e sistematizada. Considerando a temática da Educação Infantil, assinale a alternativa correta:

Na Educação Infantil, o lúdico ocupa lugar de destaque e possibilita que as crianças possam aprender de maneira criativa e descontraída.

Correta: pois o lúdico permite que a aprendizagem aconteça de maneira criativa e descontraída, pois as brincadeiras, jogos, teatralizações etc. permitem a estimulação da criança sem ela perceber, contribuindo para uma aprendizagem significativa e leve.

O principal objetivo da Educação Infantil é permitir que as crianças sejam alfabetizadas e iniciem o Ensino Fundamental sabendo ler e escrever.

Incorreta: pois o principal objetivo da Educação Infantil é a promoção do desenvolvimento físico, motor, cognitivo, emocional e social, permitindo que as crianças possam ampliar o processo de descoberta e vivência que farão ao longo de todas as suas vidas.

A parceria entre família e escola, na Educação Infantil, não é considerada fator de importância, pois aprender é responsabilidade da escola.

Incorreta: pois a parceria entre família e escola, na Educação Infantil, tem lugar de destaque, pois é ela que vai permitir que as crianças possam ser cuidadas e assistidas a partir das suas reais necessidades, em um processo no qual é vista de maneira integral.

A primeira infância não é momento de importância para o desenvolvimento humano, pois a criança já nasce cognitivamente pronta.

Incorreta: pois a primeira infância é momento de grande importância para o desenvolvimento humano, pois a criança está em franco processo de formação e seu cérebro funciona como uma verdadeira “esponja” capaz de responder e assimilar várias novas experiências, que servirão de base para o seu amadurecimento futuro.

A Psicopedagogia não pode ajudar muito com o seu trabalho na Educação Infantil, pois as crianças ainda não estão alfabetizadas.

Incorreta: pois a Psicopedagogia pode trazer grandes contribuições para a Educação Infantil, auxiliando na formação dos professores, intermediando a comunicação entre escola e família e atuando diretamente com os alunos, explorando toda a sua capacidade simbólica e de aprendizagem, mesmo antes da sua alfabetização.

Atividade

A teoria das inteligências múltiplas é utilizada no processo de intervenção psicopedagógica, pois a utilização de tal teoria possibilita a compreensão do processo de aprendizagem de maneira mais completa. Para Gardner, a inteligência deve ser considerada plural, desenvolvida e modificada em função das experiências vividas pelo sujeito ao longo do seu desenvolvimento. Considerando a classificação de Gardner em relação aos diferentes tipos de inteligência, assinale a alternativa correta:

A inteligência linguística refere-se à capacidade de compreender os próprios sentimentos e desejos.

Incorreta: pois a inteligência linguística refere-se à fala, à sua capacidade de comunicação e expressão a partir da fala e da escrita. A capacidade de compreender os próprios sentimentos e desejos está relacionada com a inteligência intrapessoal.

A inteligência interpessoal refere-se à capacidade de compreender os seus próprios sentimentos e desejos.

Incorreta: pois a inteligência interpessoal refere-se à capacidade de reconhecer e compreender os estados de humor, o temperamento, as motivações e desejos presentes no outro, em um exercício de análise e percepção.

A inteligência sinestésica refere-se ao chamado “ouvido musical” e se relaciona com a música e o ritmo.

Incorreta: pois a inteligência sinestésica refere-se à habilidade de utilização da coordenação motora, o domínio do corpo, presente principalmente em esportistas, artistas cênicos e plásticos. O chamado “ouvido musical” está relacionado com a inteligência musical.

A inteligência espacial refere-se à capacidade de analisar o mundo espacial e fazer a sua representação.

Correta: pois a inteligência espacial refere-se à capacidade de analisar o mundo espacial e fazer a sua representação a partir da manipulação mental de formas ou objetos e está muito presente em arquitetos, engenheiros e artistas plásticos.

A inteligência lógico-matemática refere-se à capacidade de percepção e categorização dos objetos naturais.

Incorreta: pois a inteligência lógico-matemática refere-se à capacidade de seguir padrões, ordem e sistematização. A capacidade de percepção e categorização dos objetos naturais, a flora e fauna, são características da inteligência naturalista.

Unidade Concluída

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