Introdução
Caro(a) aluno(a), para começarmos nossos estudos, nesta unidade, a compreensão da intervenção psicopedagógica dentro da instituição educacional necessita de profissional capacitado para exercer essa função e tomar frente em relação às diferentes expectativas diante das necessidades da escola.
Pensando nas mais diversas instituições educacionais, devemos perceber que não existe uma única forma de intervir psicopedagogicamente falando, mas isso não nos permite pensar em atitudes desconexas e bagunçadas, nas quais tudo é permitido.
Assim, nesta unidade, discorreremos acerca do conceito da intervenção psicopedagógica, como esta intervenção deve ocorrer, de que maneira devem ser propostos os objetivos de modo que o foco seja o sujeito relacionado ao contexto social no qual ele se insere.
Ainda falaremos da importante relação entre a família do sujeito, o psicopedagogo e a instituição para uma intervenção com maior eficácia, com os objetivos a serem atingidos e com uma aprendizagem concreta do sujeito.
Dessa forma, deve-se manter o foco numa intervenção psicopedagógica eficaz, de forma que o sujeito se desenvolva de forma crítica e reflexiva dentro de suas possibilidades. Vamos começar?
A Necessidade Escolar para uma Intervenção Psicopedagógica Eficaz
Atualmente, a escola é vista por muitas pessoas com o um espaço onde ocorrem as mudanças sociais, pois é nela em que ocorrem muitas das relações sociais que o sujeito estabelece e, também, é o local de que se espera uma formação íntegra dos cidadãos/sujeitos para eles mesmos, a fim de que atuem na sociedade de maneira ativa. Dessa forma, caro(a) aluno(a), perceba que o psicopedagogo deve voltar sua visão para as mais diversas situações que ocorrem na instituição escolar, para que o desenvolvimento da sua prática psicopedagógica seja coerente com a necessidade do sujeito e da instituição. Monereo e Solé (2000) falam das necessidades da escola como algo que não é estático e prefixado, mas um ambiente dinâmico e mutável, que se apresenta de diversas formas e momentos distintos e que seguem, em boa parte, o que se espera que a sociedade projete sobre ela.
É de fundamental importância sabermos que o psicopedagogo deve estar atento ao funcionamento de todos os detalhes da instituição e perceber se a instituição é capaz de encarar os desafios políticos e sociais impostos pela cultura escolar, pela sociedade na qual a instituição se insere no que se refere ao desenvolvimento humano, administrativo e físico, e isto a que estamos nos referindo é parte integrante e fundamental da instituição.
É importante que você saiba: para que o psicopedagogo conheça na íntegra a instituição com a qual vai trabalhar e comece a agir de acordo com os objetivos e planos traçados de maneira clara e consciente, é fundamental que esses instrumentos que serão utilizados estejam de acordo com a realidade institucional. Assim, expor de maneira clara todo o processo de diagnóstico e intervenção, que serão assumidos no trabalho psicopedagógico institucional, é fundamental para que a instituição possa se preparar para esse fato e que, assim, ocorra a aprendizagem do sujeito. Por isso que os conceitos da epistemologia convergente e da abordagem sistêmica são de extrema importância para a compreensão da instituição educacional e para que esta possa cooperar para a aprendizagem do sujeito.
Conceito de Intervenção Psicopedagógica
Para entendermos o que é a intervenção psicopedagógica, pensemos primeiramente em qual é o significado da palavra “intervir”. Ela significa agir ativamente perante uma determinada situação e essa ação/intervenção vai mudar/transformar o sujeito de alguma maneira, preparando para futuras práticas interventivas. A intervenção do psicopedagogo, portanto, requer uma ação de modo a mudar o sujeito que entra como o objeto a ser estudado de forma que o foco seja a aprendizagem e os objetivos dessa ação sejam sempre muito claros e sujeitos à mudança. Pensando que a psicopedagogia apresenta, na sua proposta, que o próprio sujeito seja autor de sua aprendizagem, devemos ter em mente que intervir nesse processo é encontrar meios favoráveis para que o aprender do sujeito permita, em um processo dialético, uma mudança na realidade e na transformação de si mesmo.
Pichon-Rivière (1988) mostra um conceito de operatividade e este nos referencia acerca da ação interventiva do psicopedagogo. Se analisarmos esta relação entre a operatividade e a ação psicopedagógica, podemos notar que Rivière propõe que essa operatividade seja capaz de agir por si, sem nada esperar acerca de quem conduz as etapas para a realização e solução dos problemas e sintomas apresentados, mas que de fato haja uma naturalidade para desenvolver a autonomia do sujeito. O psicopedagogo, dessa forma, deve intervir por meio de atividades operatórias de maneira a solucionar de modo gradativo as queixas apresentadas, buscando a aprendizagem efetiva. Se tomarmos como base a epistemologia convergente, pensaremos que o psicopedagogo deve aplicar uma prova operativa e que esta objetive caminhar em direção à aprendizagem por meio da Ecro, cuja sigla significa Esquema Conceitual, Referencial e Operativo, a fim de identificar e solucionar as queixas.
Quando o psicopedagogo não age diretamente na intervenção, ou seja, aplica os instrumentos, ele amplia sua capacidade de compreender o grupo no qual o sujeito se insere em sua totalidade, aplicando as ações mais dinâmicas para a solução dos problemas.
Recursos Psicopedagógicos para Intervenção
É importante que você saiba que os recursos psicopedagógicos propostos por Barbosa (2001) reúnem contribuições suas e de Visca (1991). Esses recursos abrem caminhos para a intervenção no que diz respeito ao processo de aprender que apresenta obstáculos, como em situações psicopedagógicas que são de caráter preventivo na instituição escolar.
A origem desses recursos está na psicologia e na pedagogia, sendo que esses recursos aqui referidos podem também auxiliar na relação professor-aluno.
A seguir, na citação de Barbosa (2001, p. 218) podemos conhecer alguns destes recursos:
Mudança de situação: as coisas que são feitas sempre da mesma forma podem criar situações conflituosas. Propor uma mudança é agir operativamente, é surpreender para interferir.
Informação: para provocar um movimento em relação à determinada tarefa, não se deve fornecer informações prontas.
Acréscimo de modelo: formar uma outra opção para que determinada consigna seja efetivada. Em vez de dizer “não é assim”, deve-se dizer: “essa é uma forma de pensar, porém vocês poderiam considerar mais este aspecto”.
Modelo de alternativas múltiplas: sem ofuscar o conhecimento do outro, deve-se oferecer a ele algumas alternativas que lhe permitam a reflexão, a escolha, o teste e a conclusão.
Mostra: recurso não-verbal que objetiva a revisão do movimento do sujeito ou do grupo, sem necessariamente corrigi-lo.
Vivência do conflito: criar um grau de ansiedade e desequilíbrio necessário para que essa vivência possibilite uma tensão e uma motivação para o estabelecimento de metas e condutas modificadas.
Problematização: criar situações-problema para que hipóteses sejam levantadas, testadas e confirmadas (ou não), para colocar certa ordem na confusão inicial.
Destaque do comportamento: comportamentos adequados assumidos pelo sujeito ou pelo grupo devem ser destacados para mostrá-los que possuem condições de atingir uma meta.
Explicação intrapsíquica: busca explicar ou descrever para o sujeito, ou grupo, o mecanismo interno que está utilizando naquele momento. Pode referir-se à cognição e aos aspectos afetivos que energizam a ação de aprender e realizar tarefas.
Assinalamento: explicita um segmento da conduta, enfatizando a motivação, a meta, a conduta escolhida etc.
Interpretação: explicita ou comunica a conduta como um todo, enfatizando a motivação, a meta, a conduta excelente etc.
É importante que você perceba que os recursos anteriormente apresentados nada mais são que instrumentos utilizados nas práticas psicopedagógicas interventivas dentro da instituição educacional, são ferramentas mostrando o real papel do psicopedagogo, bem como o compromisso assumido.
A Importância da Psicopedagogia e suas Contribuições - relação Família e Escola
Se pararmos para pensar sobre a estrutura familiar e escolar, perceberemos que o psicopedagogo deve conter um amplo conhecimento de vários sistemas que compõem o sujeito, a escola e o meio social no qual esse sujeito e instituição se inserem, ou seja, está envolvido em meio, em uma enorme complexidade.

Fonte: ?????? ???????? - Russian Federation , 123RF.
O processo ensino-aprendizagem é construído entre o sujeito que aprende e o que ensina e considera o meio social no qual esse sujeito se insere, principalmente a família e a comunidade escolar. A psicopedagogia, no que se refere ao processo ensino e aprendizagem, não toma como embasamento aquele sujeito que não apresenta possibilidades de mudança, mas, sim, o sujeito que apresenta mudanças em relação à sua aprendizagem, ou seja, uma aprendizagem real e gradativa.
Assim, caro(a) aluno(a), quando houver qualquer problema de aprendizagem que você seja chamado a intervir junto à escola ou problema que ocorreu na escola na qual você trabalha, tenha sempre em mente que isso vai além das dificuldades e sintomas apresentados pelo sujeito, mas algo que envolve a família, a escola e a comunidade escolar. Dessa forma, todos esses envolvidos apresentam parte de responsabilidade com relação aos sintomas apresentados e deverão participar de alguma maneira da intervenção e diagnóstico. Para que melhor o sujeito aprenda, ele deve ser compreendido de forma detalhada, ou seja, as particularidades devem ser estudadas e adicionadas aos sintomas.
Inserindo a Família na Escola e no Diagnóstico Psicopedagógico
Caro(a) aluno(a), o primeiro pensamento que devemos ter é que o conhecimento e o aprendizado não são adquiridos somente dentro escola, mas que esta aprendizagem é construída pelo sujeito em contato com o meio social no qual está inserido, com a família e a comunidade à qual ele pertence. Dessa forma, a família é o primeiro elo do sujeito desde o início da sua vida e deve ser a grande responsável por educá-lo na sua integridade. Podemos, então, afirmar que é por meio dessa aprendizagem que o sujeito consegue interagir com o mundo, com as outras pessoas e com a escola e, assim, seus conhecimentos e sua inteligência se desenvolvem cada vez mais nessas interações. Considerando a epistemologia convergente com relação à família e a aquisição do conhecimento, Visca (1991, p. 25) diz que:
dentro do esquema evolutivo da aprendizagem, de um nível que se refere à apreensão da cosmovisão do grupo familiar, ou seja, a criança adota como principal objeto de interação os membros do grupo familiar e as relações dos mesmos entre si e com os objetos em função de uma escala de valores. A frequência, a intensidade e a alternância de tais interações constituem um nível que determina a percepção de mundo.
Sendo assim, com base na visão de Visca, podemos dizer que a família deve inserir o sujeito na vida social, ensinando regras e valores que serão importantes para a adequação do sujeito dentro de suas possibilidades.
As características da estrutura familiar são, algumas vezes, influenciadas pelo meio social na qual a família se insere, portanto é indispensável enxergar o sujeito como um ser social que precisa se adaptar para se desenvolver e sobreviver nessa sociedade, adquirindo a aprendizagem significativa. A família é responsável por ensinar o sujeito a seguir na sua cultura e a seguir os valores que ensina. Além disso, também é responsável por ensinar o sujeito a viver e conviver com a sociedade na qual a família se insere e a se inserir no mundo, ou seja, podemos afirmar que esta é um sistema aberto.
De acordo com Macedo (1994, p. 189), a estrutura familiar pode ser percebida por meio do esquema seguir:
● As regras – governam o sistema de relações e definem a organização da família. A mais importante é a hierarquia, que regula o poder. É importante que entre pais e filhos não haja uma simetria de poder, pois a autoridade dos pais tem uma função importante. Perceber regras implícitas e explícitas que governam um grupo familiar é necessário para se compreender a dinâmica interna dessa família e, consequentemente, das atitudes de seus membros.
● Os subsistemas – dentro de uma família podemos considerar como subsistemas, os que são regidos por idade, sexo e gênero, por exemplo: os pais, os irmãos mais velhos, as mulheres etc. Os diferentes subsistemas estabelecem uma complementaridade de funções, sendo que por meio deles se aprendem as funções que serão desempenhadas na vida. As relações entre os subsistemas são regidas por fronteiras que dependem dos limites estabelecidos.
● O ciclo vital – visão evolutiva que observa as características funcionais da família em cada etapa de seu desenvolvimento ao longo de gerações. Cada fase exige mudanças e transformações. Ver a família com base nessa evolução permite compreender sua estrutura e flexibilidade no momento de mudanças.
Vamos considerar, também, a família em relação à sua estrutura, ao seu contexto e ao seu processo. Em relação à estrutura familiar, podemos ressaltar a organização, a divisão de funções, as regras construídas nos limites instituídos e na hierarquia.
Sobre o diagnóstico e o papel da família, Bossa (1994, p. 74) pontua:
O diagnóstico psicopedagógico é um processo, um contínuo sempre revisável, onde a intervenção do psicopedagogo inicia segundo vimos afirmando, numa atitude investigadora, até a intervenção. É preciso observar que esta atitude investigadora, de fato, prossegue durante todo o trabalho, na própria intervenção, com o objetivo de observação ou acompanhamento da evolução do sujeito. Na maioria das vezes, quando o fracasso escolar não está associado às desordens neurológicas, o ambiente familiar tem grande participação nesse fracasso. [...] primordial para o bom desenvolvimento da criança.
Tomando como base o pensamento de Bossa, o diagnóstico psicopedagógico e tudo aquilo que o sujeito leva como crenças e costumes, possibilita a ele ter uma visão de mundo que passa de geração para geração. Sob o ponto de vista do pensamento sistêmico, no que tange à estrutura familiar psicopedagogicamente falando, quando voltamos nossos pensamentos na aprendizagem e os desvios da aprendizagem como sintomas, devemos estar atentos para compreender o motivo do aparecimento do sintoma e lutar para que não hajam resistências para enfrentá-los, considerando que existam fatores internos e externos ao sujeito.
Os Problemas de Aprendizagem e a Importância Familiar
A família surge tomando como base as relações sociais que se estabelecem no seu ciclo vital e este pode influenciar a estrutura familiar, a partir de um novo membro na família, uma caso de um noivado e assim sucessivamente. A maneira como são vistas essas mudanças afetam regras, limites, valores e estruturas familiares.

Fonte: Andriy Popov, 123RF.
Conforme já mencionamos anteriormente, a família é como um sistema aberto. Diante disso, o que se busca é manter um equilíbrio em relação ao que é interno para família e o que é externo. Assim, as ações devem sempre seguir as normas internas que foram estabelecidas.
Conforme as necessidades de se adaptarem e manterem em um estado de equilíbrio, quando surgem situações que exigem mudanças, pode ser, nesse caso, que a família tenha dificuldades de avançar com relação ao desenvolvimento de suas relações, ou seja, ela necessita de acompanhar o seu ciclo vital evolutivo, o que chamamos de sintoma.
É importante que você compreenda melhor o conceito de sintoma. Sendo assim, trabalharemos com o conceito dado pela autora Elizabeth Polity (2001, p. 33):
o sintoma “pode ser definido como uma mensagem que emerge em determinada circunstância e que tem uma função para aquele sistema. Em busca da homeostase, o sintoma na família adquire um significado de funcionalidade que ocorre pela impossibilidade de simbolizar.
Sendo assim, o sintoma pode emergir das resistências da família em aceitar esses sintomas ou, também, de aceitar que estes, para desaparecerem, ocorrem de forma gradativa. Nem sempre o sintoma fica claro, porém, com base nos sintomas que cercam as dificuldades de aprendizagem, a família tenta encontrar maneiras de evitar a mudança e manter o equilíbrio de forma rígida, tentando mostrar que o problema está no sujeito que apresenta o sintoma, ou seja, que a criança não aprende por mero problema dela, porque é desatenta, preguiçosa etc.

Fonte: Jean-Paul Chassenet, 123RF.
Pensando no ciclo da vida do ser humano, é muito comum que os pais criem expectativas sobre um futuro de sucesso para seus filhos. Como destaque dessas expectativas, podemos ressaltar a intelectualidade, pois os pais têm em mente que é a intelectualidade que garantirá aos seus filhos o êxito no desempenho de suas funções. Quando essa expectativa apresenta uma dificuldade a ser enfrentada, isso pode gerar uma dificuldade ainda maior, estagnando padrões de relação e flexibilidade.
Se pararmos para pensar como as coisas acontecem dentro do ciclo vital dos indivíduos, uma criança começa a ler e escrever por volta dos sete anos, a puberdade começa por volta dos doze anos, ou seja, caso haja algum tipo de falha e que estas funções não apareçam no sujeito, a família pode não querer enfrentar essa situação, ou seja, resistir à realidade que se faz presente no sujeito naquele momento. A esse problema de aprendizagem, conforme vimos anteriormente, chamamos de sintoma (conceito que já mencionamos e que impede que a família encontre mecanismos para amenizar esse problema).
É assim que o sujeito passa a ser o portador do sintoma, por meio da percepção da família. Também podemos acrescentar que esse sintoma pode ser detectado pelos profissionais da instituição e que a origem destes problemas podem estar ligados a diversas causas, porém nosso foco, aqui, é a dificuldade de aprendizagem dentro do contexto familiar do sujeito.
Considerando o contexto psicológico e social assumido pela família do sujeito, podemos afirmar que a aquela busca proteger seus membros, adaptar-se à cultura, ou seja, atitudes que podem evidenciar os sintomas ligados à aprendizagem.
Quando nos dedicamos a explicar as causas da dificuldade de aprendizagem, não devemos considerar apenas a análise feita acerca do sujeito e, sim, considerarmos o modelo sistêmico que propõe um auxílio a esses indivíduos por meio de processos de interação entre o sujeito, a família e a instituição.
A dificuldade de aprendizagem, enquanto sintoma, deve ser tomada como um escudo que protege a organização familiar, com base nos padrões de interação. Na verdade, não se objetiva criar aqui uma hegemonia diante do fenômeno da dificuldade de aprendizagem, descaracterizando outros fatores que estão relacionados a ele. O que se observa, na maioria dos casos, é um entrelaçamento destes fatores, que nos faz reconhecer a complexidade da situação (POLITY, 2001, p. 18).
No ponto de vista das dificuldades de aprendizagem, primeiramente deve-se considerar como as pessoas aprendem dentro de suas respectivas famílias, e isso é importante para determinar de que maneira um obstáculo acontece dentro do processo de aprendizagem:
É importante que, como psicopedagogos, saibamos compreender que, ao trabalhar com sujeitos que apresentam dificuldades, a afetividade, a perspicácia, a alegria, a calma e a paciência devem ser constantes e primordiais para o sucesso da intervenção, mas, para isso, o educador deve apresentar uma postura, uma atitude espontânea, ou seja, que de fato ele goste muito do seu trabalho, tanto no sentido psicanalítico quanto no que diz respeito à aceitação e à firmeza, conduzindo a criança com participação da família e, dessa forma, pode-se superar os obstáculos, voltando o olhar para o desenvolvimento e para a aprendizagem.
A Relação Família e Escola
Se você parar para analisar, a instituição educacional, no decorrer de anos, vem adquirindo um papel de socializadora e responsável por grande parte do desenvolvimento, aquisição de condutas e atitudes necessárias à sobrevivência social do sujeito. Pensando em um desenvolvimento de comportamento social correto, não é mais o objetivo somente da família. A instituição ou a escola, como você queira chamar, muitas vezes, tem meios mais eficazes para o desenvolvimento do sujeito e inserção deste sujeito ao grupo escolar.

Fonte: Graham Oliver, 123RF.
Tomando como base o que falamos no parágrafo anterior, podemos concluir que muitos pais analisam muito tempo a escola em que matricularão seus filhos, pois muito embora eles saibam que a educação base deve vir de casa, buscam uma escola que vise cumprir os objetivos educacionais e, também, formar o sujeito na totalidade, para a sociedade e para o mundo. Analisemos: será que, atualmente, os pais estão dando aos seus filhos essa educação base, ou eles transferem para a escola, além da sistematização dos conteúdos, essa responsabilidade? Reflita sobre esse assunto. A vida do ser humano é influenciável pela sociedade por passar a maior parte de sua vida na escola. Isso faz com que a escola esteja cada dia mais preparada para ensinar muito mais do que conteúdos, mas de fato ensinar esses sujeitos acerca da vida em sociedade. Vale ressaltar, contudo, que a relação família-escola é importante para a educação do sujeito na totalidade, ou seja, deve existir um equilíbrio entre os papéis do ensino-aprendizagem.
O sujeito deve perceber que a relação família-escola é harmoniosa, ou seja, que ele faz parte daquela escola porque seus pais confiam no trabalho que é realizado pela instituição que eles escolheram, que valorizam tudo aquilo que a instituição apresenta nos aspectos estrutural, intelectual e humano.
SAIBA MAIS
O trabalho do psicopedagogo no entremeio da escola
Para saber mais sobre o trabalho do psicopedagogo no entremeio da escola, com a família, acesse a reportagem “As intervenções do psicopedagogo na relação escola-família”, disponível no link: http://psicopedagogiacuritiba.com.br/intervencoes-psicopedagogo-na-relacao-escola-familia/.
Fonte: elaborado pela autora.
Dessa forma, com toda a responsabilidade que lhe é depositada, a instituição deve apresentar um projeto político pedagógico que seja completamente favorável para a aprendizagem do sujeito. Deve existir uma comunicação clara entre todas as partes que constituem o âmbito da instituição e família, para que juntos possam refletir se de fato a aprendizagem está se desenvolvendo de forma significativa.

Fonte: Elaborada pela autora.
De acordo com Bassedas et al. (1996, p. 35),
A angústia e a ansiedade de pais e professores interferem na relação e a criança sente-se prejudicada. O psicopedagogo, por sua vez, pode ajudar as partes implicadas a despirem-se de culpa e analisarem de forma mais objetiva o que está ocorrendo. É preciso fazer um trabalho de aproximação dos dois sistemas, ajudar a buscar canais mais fluidos de comunicação e colaboração para planejar e estabelecer compromissos e acordos mínimos que levem ao fim do bloqueio criado nessa situação.
Encerrando esse tópico, podemos asseverar, então, que a escola desempenha um importante papel: inserir o sujeito na sociedade onde este está disposto a carregar consigo normas e valores que são parte da cultura na qual está inserido. Essas normas e valores contribuirão para uma dinâmica que está ligada ao espaço relacional, funcional, sistêmico e organizacional.
REFLITA
O real papel da família
A família desempenha um papel importante na formação dos indivíduos uma vez que permite e possibilita a constituição de sua essencialidade. É nela que o homem concebe suas raízes e torna-se um ser capaz de elaboração de competências próprias. A família é, por conseguinte, a primeira instituição social formadora da criança. Dela depende em grande parte a personalidade do adulto que a criança virá a ser.[...]
Dessa forma, acredita-se que um programa de intervenção familiar seja de fundamental importância para o desenvolvimento e aprendizagem da criança. O relacionamento familiar, a disponibilidade e interesse dos pais na orientação educacional de seus filhos, são aspectos indispensáveis de ajuda à criança. Em um trabalho de orientação a pais, é possível despertar a sensibilidade dos mesmos para a importância destes aspectos, dando-lhes a oportunidade de falar sobre seus sentimentos, expectativas, e esclarecendo-lhes quanto às necessidades da criança e estratégias que facilitam o seu desenvolvimento (MICHELE, 2014, on-line).Com base nesse trecho, é importante que você pense bem sobre qual é o real papel da família com o psicopedagogo para que haja uma intervenção eficaz.
Fonte: Michele, (2014, on-line).
É importante que a família se insira dentro do cotidiano escolar, incluindo a participação das regras, dos valores, contribuindo para que as atividades escolares sejam dinâmicas e busquem a interação com o sujeito. Perceba que as demandas da família podem apresentar conflitos e o fato da escola manter uma visão firme em relação ao aluno pode levar este à manutenção do funcionamento familiar, configurando o aparecimento de obstáculos de aprendizagem e assim, consequentemente, é detectado o sintoma. Desse modo, a escola deve estar preparada para novas estruturas das relações familiares, juntando-se à comunidade escolar para a melhora do sintoma.
As relações família e escola devem ser caracterizadas pelo esforço comum em prol do desenvolvimento do educando. A escola não deve manter o sintoma familiar, mas sim apropriar-se de mecanismos que favoreçam a transformação, o crescimento e a aprendizagem.
Não só os pais contam com a escola, mas está, igualmente, conta com eles. Por isso, a instituição escolar precisa conversar com eles, dar orientações, promover palestras, saber o que está acontecendo com a criança em casa, como ela está vivendo ou reagindo aos muitos e inevitáveis problemas existentes em qualquer família (doença, separação, mudança, de emprego, modos de organização da casa, problemas financeiros, relacionamento entre o casal, nascimento de outros filhos) (ALTHUOM; ESSLE; STOEBER, 2000, p. 12).
Quando a família desconhece as necessidades da criança e a maneira correta de como trabalhar com as dificuldades que ela apresenta, certamente precisa ser instruída pela escola e pelo psicopedagogo para que consiga ajudar de maneira significativa na evolução do seu filho. A motivação, os mecanismos de comunicação e os problemas existentes em casa, certamente influenciam no desempenho da criança, no processo de desenvolvimento e de aprendizagem. Assim, os psicopedagogos, algumas vezes, podem sentir dificuldades em relação às orientações que devem ser passadas pela falta de conhecimento aprofundado com relação aos diversos aspectos familiares que podem contribuir para um resultado mais desejável.
SAIBA MAIS
Relação família x instituição
Nesta unidade, falamos bastante acerca da relação família x instituição visando o desenvolvimento do aluno. Dessa forma, é indicada a leitura do artigo intitulado “Atendimento Psicopedagógico: uma parceria com a família”, das autoras Amanda Tracz Pereira, Karine Hoffmann e Vanessa Pustilnick. O objetivo desse trabalho é identificar as principais contribuições do psicopedagogo na superação dos obstáculos de aprendizagem dentro da instituição escolar e no âmbito clínico.
Você terá o acesso desse artigo na íntegra por meio do link: http://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2015/16264_7832.pdf. Aproveite a leitura para ampliar seus conhecimentos!
Bons estudos!
Fonte: elaborado pela autora.
Indicação de leitura
Intervenção Educativa e Diagnostico Psicopedagogico
Editora: Artes Médicas
Autor: Eulália Bassedas; Teresa Huguet; E Outros
Ano: 1996
ISBN: 857307129x
Comentário: O livro explica as bases teóricas inspiradas no construtivismo de Piaget e na teoria de sistemas, descrevendo em detalhes os diversos elementos no diagnóstico e seu seguimento: entrevistas com professores e pais, observações, revisões de trabalhos de aula, adaptações curriculares etc. É uma obra escrita por vários profissionais da intervenção, como Teresa Huguet e Eulália Bassedas.

Atividade
A escola é o espaço no qual ocorrem muitas mudanças sociais, principalmente porque é lugar de muitas das interações que o sujeito estabelece ao longo da sua trajetória na vida, além de ter a responsabilidade de desenvolver a aprendizagem e da formação de cidadãos. Considerando a temática da atuação do psicopedagogo no ambiente escolar, assinale a alternativa correta.
O psicopedagogo deve estar atento ao funcionamento de todos os detalhes da instituição para atuar adequadamente.
Correta: pois o psicopedagogo deve estar atento ao funcionamento de todos os detalhes da instituição, pois é por meio disso que ele conseguirá desenvolver um plano de trabalho condizente com as necessidades da instituição, e não simplesmente de acordo com o que ele acha ou acredita ser eficaz.
A escola é considerada um local estático e prefixado, e o psicopedagogo não pode fazer muito pela instituição.
Incorreta: pois a escola é considerada espaço dinâmico de interação e o psicopedagogo precisa estar atento a isso, pois, só assim, poderá fazer muito pela instituição, tanto com os professores e demais funcionários, quanto com os alunos e, até mesmo, com os familiares desses alunos, em uma prática ética, coerente e conjunta.
Os instrumentos de intervenção do psicopedagogo na escola não precisam estar de acordo com a realidade da instituição.
Incorreta: pois os instrumentos de intervenção do psicopedagogo na escola precisam estar de acordo com a realidade da instituição, pois somente com a clareza e conhecimento na íntegra do ambiente e seu funcionamento pelo profissional fica possível pensar em uma intervenção adequada.
Expor de maneira clara o processo de diagnóstico e intervenção feito pelo psicopedagogo não é importante para a instituição.
Incorreta: pois expor de maneira clara o processo de diagnóstico e intervenção feito pelo psicopedagogo é de grande importância para a instituição. É necessário que a escola saiba o que está sendo pensado e proposto, até porque a sua ajuda permite que o trabalho seja desenvolvido com mais qualidade e coerência.
O processo de diagnóstico e intervenção feito pelo psicopedagogo não precisa ser exposto para o aluno em avaliação.
Incorreta: pois o processo de diagnóstico e intervenção feito pelo psicopedagogo precisa ser realizado de maneira clara e aberta para a instituição e também para o avaliado em questão. O aluno tem o direito de saber a proposta de trabalho para a qual ele será convidado a participar e o seu conhecimento e colaboração são essenciais para o sucesso da intervenção.
Atividade
O Psicopedagogo ocupa espaço de destaque na instituição escolar, pois o seu trabalho possibilita que questões relacionadas à aprendizagem possam ser pensadas e trabalhadas, a partir de um processo cuidadoso e singularizado de observação, diagnóstico e intervenção. Em relação à intervenção do psicopedagogo na instituição escolar, assinale a alternativa correta:
Os objetivos de intervenção do psicopedagogo não precisam estar claros para todos, já que a ação foi pensada para aquele sujeito em avaliação.
Incorreta: pois os objetivos de intervenção do psicopedagogo precisam estar claros para todos os envolvidos nesse processo e isso inclui o sujeito em avaliação, seus familiares e a instituição escolar, em um processo transparente e alinhado com as necessidades desse sujeito.
O sujeito que é objeto da intervenção da psicopedagogia não é autor de sua aprendizagem, pois o psicopedagogo faz isso por ele.
Incorreta: pois o sujeito que é objeto de intervenção da psicopedagogia é autor da sua aprendizagem e o psicopedagogo vai auxiliá-lo nesse processo. A parceria é fundamental para que o trabalho aconteça com a qualidade necessária.
O psicopedagogo tem espaço de destaque no processo de diagnóstico na instituição, mas quem faz a intervenção é somente o professor.
Incorreta: pois o psicopedagogo tem espaço de destaque no processo de diagnóstico e intervenção na instituição, pois, a partir o seu olhar atento e cuidadoso, será capaz de fazer o processo de observação da situação, das escolhas dos caminhos e instrumentos adequados para o diagnóstico e das melhores ferramentas para a aplicação de tudo isso, por meio do processo de intervenção.
As informações sobre as interações do sujeito analisado não são importantes, pois o que vale é somente o seu grau de aprendizagem.
Incorreta: pois, considerando o processo de intervenção do psicopedagogo no ambiente escolar, analisar o grau de aprendizagem do sujeito em análise é importante, mas não deve ser o único parâmetro de avaliação, pois o meio no qual ele está inserido pode interferir no modo e no quanto ele aprende.
A intervenção do psicopedagogo requer ação voltada para a mudança do sujeito que é foco de atuação no espaço escolar.
Correta: pois a intervenção do psicopedagogo não deve estar voltada somente para a escolha dos melhores instrumentos e ferramentas de intervenção, pois o mais importante disso é que a sua ação esteja voltada para a mudança do sujeito que é foco de atuação no espaço escolar.
Atividade
O processo de ensino-aprendizagem é influenciado por diferentes fatores, que precisam ser olhados e considerados. Isso também precisa ser tomado como parâmetro para o trabalho do psicopedagogo institucional, principalmente porque a sua prática precisa ser baseada em um olhar completo sobre a questão da aprendizagem. Considerando a questão da aprendizagem e da influência do fator social, assinale a alternativa correta:
A intervenção do psicopedagogo na instituição escolar precisa ser pautada somente no sintoma, e não nas questões sociais do aluno.
Incorreta: pois a intervenção do psicopedagogo na instituição escolar precisa ser pautada no sintoma, mas também no meio no qual esse aluno está inserido, pois as relações que ele estabelece com a família, com a escola e consigo mesmo podem contribuir para manifestação dos sintomas em questão.
O psicopedagogo deve pautar focar nas dificuldades de aprendizagem, mas não se esquecer que o social também pode interferir no caso.
Correta: pois quando um aluno tem um problema de aprendizagem que precisa de intervenção, o psicopedagogo deve ter em mente que essa dificuldade pode ir além da questão do sintoma apresentado, como algo relacionado à família, à escola e à comunidade escolar.
A família não deve ser considerada no processo de diagnóstico e intervenção do psicopedagogo, pois o principal é a influência da escola.
Incorreta: pois a família é o primeiro elo de ligação do sujeito a partir do seu nascimento e educação não formal. É por meio dessa educação inicial que o aluno interage com o mundo, com as outras pessoas e com a escola, assim, sua influência deve ser considerada no processo de diagnóstico e intervenção do psicopedagogo.
É responsabilidade da escola educar o aluno em toda a sua trajetória escolar, não sendo necessário para a família assumir esse papel.
Incorreta: pois a família é responsável por ensinar o sujeito a viver e conviver na sociedade na qual estão inseridos, ensinando ao aluno a cultura e os valores pertencentes a esse meio social. Considerando isso, é responsabilidade da família a criação e educação do aluno, cabendo à escola a responsabilidade de complementar isso a partir da educação formal.
Em todos os casos, o chamado por “fracasso” ou dificuldade ou “insucesso” escolar está essencialmente associado a um distúrbio neurológico.
Incorreta: pois, em alguns casos, o chamado “fracasso” ou dificuldade ou “insucesso” escolar pode estar associado a um distúrbio neurológico, contudo, há outras situações nas quais outros fatores estão envolvidos, como a organização escolar e também familiar, mostrando a importância do meio social nessa situação.

