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Unidade 2


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Introdução

O psicopedagogo atua como um  assessor ou profissional contratado da instituição, tendo em vista o âmbito institucional. Devemos ter em mente que, como em nosso país, a psicopedagogia não é uma profissão regulamentada. A contratação do psicopedagogo está vinculada à graduação, ou seja, um pedagogo que tenha especialização em psicopedagogia, continuará sendo um pedagogo, mas com uma visão psicopedagógica, sem ter vínculo empregatício com a instituição, mesmo tendo que intervir em situações que apresentem dificuldade aprendizagem na instituição que o contratou.

A importância da intervenção psicopedagógica está ligada diretamente à intervenção grupal, na qual um grupo é composto por pessoas com características diferentes, contudo, para que o funcionamento desse grupo dê certo, é preciso que cada componente assuma seu papel, seja ele líder, porta-voz, entre outros, e o psicopedagogo contratado desempenha o papel de profissional técnico e de membro do grupo institucional.

É importante que você saiba que, no âmbito institucional, o psicopedagogo pode contribuir de duas formas: preventivamente e remediavelmente. Sendo assim, é possível:

  • melhorar o processo ensino-aprendizagem, tomando como base uma base ética e social;
  • promover uma aprendizagem cooperativa em que cada aluno possa atingir seus objetivos de forma colaborativa, tendo em vista a integração, o grupo, o trabalho em equipe como pressuposto para aprendizagem;
  • promover a cooperação entre a escola e a família, com base nos projetos educativos específicos;
  • possibilitar a formação docente;
  • formar equipes docentes promovendo as atividades interdisciplinares.

É de extrema importância que você compreenda os vários campos de atuação do psicopedagogo na instituição, pois estes são os responsáveis pela aprendizagem saudável dentro da escola.

A Atuação do Psicopedagogo na Instituição e a Abordagem Sistêmica

Para compreendermos de fato o que é uma instituição escolar, devemos considerar sua estrutura total (o que é global) e o que é específico dentro de uma instituição. Ao pensarmos de maneira sistêmica, conseguimos observar de que modo ocorre a aprendizagem escolar que se baseia nas relações entre ensinar e aprender sem manter uma ideia em apenas um desses processos.

O conceito de sistemas começou a fazer parte de inúmeros campos da ciência e invadiu o pensamento das pessoas, a comunicação informal utilizada pelas pessoas e os meios de comunicação de uma maneira geral. Sendo assim, podemos concluir que o pensamento visto como um sistema desempenha  um papel dominante, em inúmeras séries de campos.

Considerando uma abordagem sistêmica, é importante que o psicopedagogo compreenda como ocorre a aprendizagem, levando em conta as relações interpessoais entre todos os envolvidos nesse processo, pois todas as pessoas são fundamentais na construção do ensinar e do aprender dentro da instituição de ensino.

De acordo com Gasparian (1997, p.35),

a teoria geral dos sistemas, por oferecer referências teóricas úteis a compreensão das leis que regulam os sistemas vivos, torna-se um modelo epistemológico cada vez mais eficaz para profissionais que trabalhando com a escola e com as famílias, podem utilizar os modelos elaborados a partir de observação do comportamento de apenas um indivíduo.

Caro(a) aluno(a), é importante sabermos que, na instituição, o foco não deve estar voltado para o sujeito e, sim, deve existir um entendimento de como ocorre o funcionamento e constituição da sua estrutura pessoal e psíquica. Dessa forma, é possível caminharmos em direção à aquisição da aprendizagem, considerando a estrutura apresentada pela instituição para que essa aprendizagem ocorra e de modo que, dentro desse processo de aprendizagem, haja uma possibilidade de mudanças nos métodos e recursos para a aprendizagem quando se fizer necessário. É importante que você saiba que, de acordo com o ponto de vista do pensamento sistêmico, as teorias científicas devem tratar da compreensão de como ocorre o conhecimento, ou seja, passar de uma ciência objetiva para uma ciência epistêmica. Podemos, assim, afirmar que o psicopedagogo sistêmico não pergunta o motivo pelo qual o problema acontece, porque dessa maneira “fecham-se portas”. Se o psicopedagogo pergunta “para que”, o quadro de explicações amplia, somando possibilidades para resolver uma situação difícil e problemática.

Quando pensamos na teoria dinâmica das relações, esta nos impossibilita de termos uma noção da realidade do sujeito, pois todas as teorias apresentam suas limitações e apresentam ideias que se aproximam, e essa aproximação das teorias possibilita a evolução do sujeito. Podemos, assim, dizer que não existe uma estrutura estática, mas um constante movimento interno de cada estrutura, facilitando a leitura psicopedagógica acerca dessas estruturas, das relações existentes entre elas. Consequentemente, com essas importantes relações, podemos construir a aprendizagem do sujeito.

Portanto, segundo Gasparian (1997, p. 56),

pensar a escola à luz da psicopedagogia significa analisar um processo que inclui questões metodológicas relacionais e socioculturais, englobando o ponto de vista de quem ensina e de quem aprende, abrangendo a participação da família e da sociedade”. Estaremos, assim, dialogando com esse complexo que se manifesta como um sistema particular, assumindo que nosso sujeito é a instituição educacional, com sua complexa rede de relações.
Figura 2.1: A aprendizagem e as diferentes metodologias
Fonte: Kzenon, 123RF.

Desse modo, a instituição escolar deve estar adaptada estruturalmente, bem como com as metodologias e currículo devem estar adequados, para que o sujeito não seja visto na individualidade, mas visto como um ser social dentro da instituição na qual está inserido, considerando os meios social, político e econômico, os quais envolvem a educação na totalidade e são partes constituintes do sujeito.

A escola sempre se preocupa, ou deveria, em pensar na formação do sujeito na totalidade, considerando as relações entre os sujeitos dentro da instituição. Assim, podemos perceber que são muitas as pessoas envolvidas no processo de ensino e aprendizagem e cada uma delas apresenta sua devida importância. Para isso, tais pessoas envolvidas nesse processo seguem normas, valores e regras. Sendo assim, podemos afirmar que a compreensão das relações humanas é indispensável para que haja um diagnóstico psicopedagógico mais preciso. Dessa forma, é de extrema importância que se saiba compreender a história da educação, dando ênfase no funcionamento da escola, e pensar nesta como instituição e como um local onde ocorrem as relações sociais e humanas, mas nunca esquecendo do comprometimento com os valores científicos aprendidos na formação e das estruturas institucionais/ organizacionais. Quando pensamos nas relações entre o  ensino-aprendizagem, considerando o âmbito institucional, se voltarmos nosso olhar à estrutura, às possibilidades de troca, ao grau de configurações, de possibilidades de troca e de permissividade ou não, considerando que não haja troca de papéis na instituição, ocorrerá uma diminuição na qualidade do ensino-aprendizagem devido a ausência de informações.

Vamos pensar que esses aspectos apontam para  uma intervenção que objetiva melhorar o processo de aprendizagem dentro da instituição escolar e, dessa forma, obter níveis que apresentem equilíbrio de permissividade.

A partir da distância entre dos subsistemas dentro da instituição escolar, pode ocorrer que a escola não saiba enfrentar os conflitos e fazer com que a instituição demonstre sintomas individuais e grupais, surgindo, assim, os problemas de aprendizagem que possam existir.

REFLITA

Reflexão sobre o Papel do Psicopedagogo

Bossa (l994, p. 23), coloca na citação a seguir, sua plena reflexão sobre o papel do psicopedagogo e objetivos pretendidos com a sua atuação. Pense bem no que você vai ler a seguir e leve consigo estes conhecimentos para sua prática cotidiana![...] cabe ao psicopedagogo perceber eventuais perturbações no processo aprendizagem, participar da dinâmica da comunidade educativa, favorecendo a integração, promovendo orientações metodológicas de acordo com as características e particularidades dos indivíduos do grupo, realizando processos de orientação. Já que no caráter assistencial, o psicopedagogo participa de equipes responsáveis pela elaboração de planos e projetos no contexto teórico/prático das políticas educacionais, fazendo com que os professores, diretores e coordenadores possam repensar o papel da escola frente a sua docência e às necessidades individuais de aprendizagem da criança ou, da própria ensinagem.O psicopedagogo atinge seus objetivos quando, tem a compreensão das necessidades de aprendizagem de determinado aluno, abre espaço para que a escola viabilize recursos para atender às necessidades de aprendizagem. Desta forma o psicopedagogo institucional passa a tornar uma ferramenta poderosa no auxílio da aprendizagem.

Fonte: Bossa (l994, p. 23)

A Escola no Papel de Instituição

Caro(a) aluno(a), é de extrema importância que você perceba que, para conseguir tomar conta de toda essa realidade e focar-se na perspectiva pedagógica da escola, você deve compreender de que maneira a instituição se organiza para ser considerada como tal. Para isso, Estrela (1994) nos auxilia nessa compreensão, por meio da figura de uma pirâmide de base quadrangular que sistematiza a escola como instituição. Vamos compreender como se dá essa sistematização?

Figura 2.2: A escola como instituição educacional sistematizada em uma pirâmide quadrangular
Fonte: Estrela (1994, p. 45).

Como observado na Figura 2.2, seguem os termos que constam:

1) física (espaço e construção-apetrechamento). Programática-normativa;
2) hierarquia (poder, normatividade, autoridade);
3) comunicação (formal e informal);
4) funções e papéis (formais e informais);
5) currículo real (expresso e escondido).

A base representa a estrutura material e humana, formada por quatro componentes:

Humano Está ligado aos grupos sociopedagógicos existentes na escola.
Programático-normativo Constitui um ponto de referência comum aos diferentes grupos; é a base em que assenta a escola.
Financeiro-Administrativo A forma como a instituição é financiada e administrada diferencia e modifica as relações de poder dentro dela (as exigências dos pais de alunos que estudam em escolas privadas, por exemplo, diferenciam-se das de pais que têm filhos em escolas públicas).
Físico Constituído pelos espaços e equipamentos que limitam certos tipos de relação.

Quadro 2.1: Componentes da base que representa a estrutura material e humana
Fonte: Adaptado de Estrela (1994, p. 45).

De acordo com Estrela (1994, p. 45), a dinâmica seria formada pelas quatro faces da pirâmide:

● a hierarquia, estabelecendo relações de poder, normatividade e autoridade;
● as funções e papéis dos vários grupos (desempenhados e esperados, formais e informais);
● a comunicação formal e informal, com suas redes e normas formais e informais;
● o currículo real, diferente do currículo proposto, nas suas dimensões expressa e escondida.

Uma atuação psicopedagógica eficaz só é possível quando as estruturas da organização escolar são identificadas, pois estas são diretamente ligadas entre si. A seguir, compreenderemos uma a uma.

O Sistema Escolar

Definimos o sistema escolar como um grupo de elementos dependentes entre si, sistematicamente organizados. Assim, podemos afirmar que o sistema escolar é um sistema amplo, aberto, que se relaciona com outras instituições e, dessa forma, estabelece relações de entrada e saída de elementos de subsistemas ou suprassistemas. Se considerarmos o  contexto social ao qual a instituição pertence, temos um suprassistema, e este é responsável por desenvolver na escola um conjunto de conteúdos e elementos que constituem a ação educativa e, dessa maneira, desenvolver mecanismos de atuação, processo que chamamos de retroalimentação. Os erros que poderão ocorrer nesse processo podem ser dados com um sintoma do problema de aprendizagem dentro da instituição, portanto, para que o diagnóstico seja preciso, é preciso que os docentes, psicopedagogos e demais constituintes da gestão escolar estejam cientes do seu papel para bem exercerem essa função social.

Os Elementos do Sistema Escolar

O profissional que atua na área educacional deve conhecer os elementos que constituem uma estrutura formal e uma organização informal.

Esse conhecimento é de fundamental importância para o psicopedagogo que articula as relações de aprendizagem, pois envolve todos os elementos da instituição e provoca mudanças não só no âmbito individual, mas no coletivo, no todo da instituição.

Segundo Gasparian (1997, p. 61), “a estrutura formal da escola constitui-se de elementos sujeitos a sofrer influência da administração e intencionalmente dispostos de forma a conduzir à consecução dos objetivos da escola”.

As características dos objetivos da escola são separadas em quatro grandes áreas, descritas por Gasparian (1997, p. 61-62) :

● Programação: Consiste na previsão das atividades a serem realizadas e nas inter-relações a serem mantidas para que os grupos possam ser alcançados. As diretrizes da programação estão contidas na legislação geral escolar e no regimento da escola e constituem em: mecanismo administrativo, plano didático e planos de trabalho.
● Recursos materiais: expressão física da programação, compreende o imóvel em que se localiza a sua escola, as instalações mobiliárias, o equipamento didático, o material permanente e de consumo, as verbas. Eles são dispostos na escola em função da programação.
● Pessoal escolar: O contingente humano está vinculado à instituição educacional.

Uma das áreas descritas por Gasparian (1997), a área Pessoal escolar, pode ser classificada da seguinte maneira, representada no Quadro a seguir:

PESSOAL ADMINISTRATIVO PESSOAL TÉCNICO CORPO DOCENTE PESSOAL AUXILIAR CORPO DISCENTE
Compreende a direção escolar e seus auxiliares. Compreende os pedagogos, psicólogos, fonoaudiólogos e, também, os bibliotecários. O corpo docente compreende os professores da instituição. Como auxiliares institucionais temos as secretárias, os inspetores e os serventes Aqui temos o grupo dos alunos, divididos em grupos que vão de acordo com a classe social que pertencem, de acordo com as relações familiares e meios culturais nos quais estão inseridos.

Quadro 2.2: Área pessoal escolar
Fonte: Adaptado de Gasparian (1997, p. 51).

Perceba, caro(a) aluno(a), que, por meio de uma visão sistêmica, o psicopedagogo percebe o grau de possibilidades que há entre os subsistemas, que pode fluir facilmente quando não há diferenças de papéis e as trocas são possibilitadas, ou não fluir com facilidade, neste caso não existe troca, mas, sim,  um empobrecimento pela falta de informações, havendo, desse modo, a necessidade de uma intervenção psicopedagógica eficaz para melhorar a qualidade do ensino e da aprendizagem.

Quando a escola não sabe resolver ou enfrentar os conflitos, problemas de aprendizagem que envolvam o grupo escolar ou problemas que envolvam apenas o sujeito podem surgir e estes problemas podem ser extremamente prejudiciais. Segundo Oliveira (2009, p. 52),

o pensamento sistêmico na visão psicopedagógica, mostra uma capacidade de perceber a escola como um todo quanto ao seu funcionamento e sua estrutura, considerando seu espaço de conhecimento e relações pessoais, identificando um circuito de retroalimentação em cada sujeito afeta e é afetado pelo todo da instituição.

Dessa forma podemos afirmar que o papel do psicopedagogo é diagnosticar o problema de aprendizagem no sujeito, para que as situações possam ser resolvidas, evitando-se os conflitos dentro da instituição cooperando para a recuperação do sujeito. Dessa forma, o psicopedagogo intervém de forma a encontrar condições favoráveis para a aprendizagem efetiva dentro do grupo garantindo a continuidade desse processo.

O Diagnóstico Psicopedagógico Institucional

Quando falamos do diagnóstico psicopedagógico, devemos ter em mente que este é um processo sistêmico, o qual busca compreender as causas a partir de sintomas, que levarão o psicopedagogo a buscar as intervenções mais adequadas, mantendo o equilíbrio entre o sujeito analisado e a instituição escolar à qual este sujeito pertence. Assim, podemos afirmar que o diagnóstico psicopedagógico é rodeado de importantes detalhes e reversibilidade, de modo que ele possibilita ser revisado no decorrer da análise do psicopedagogo e das necessidades apresentadas pelo indivíduo analisado. As intervenções ocorrem perante muita investigação do psicopedagogo, seja na clínica ou na instituição.

Logo, de acordo com Scoz (1994, p. 19),  “o diagnóstico psicopedagógico é um instrumento que investiga os elementos que se interpõem no processo de aprendizagem do sujeito”, porque, de certa forma, podemos pensar que o sujeito inserido nesse processo de aprendizagem está também inserido em um espaço temporal, dimensional e existencial repleto de suposições sobre o eu orgânico, as emoções, a mente, o psíquico e até mesmo seu ponto de equilíbrio energético.

Considerando que o trabalho do psicopedagogo é ensinar e aprender, ele traz, com suas experiências, critérios para as falhas, para que os problemas contínuos de aprendizagem possam ser evitados. Nesse sentido, Scoz (1994, p. 22) coloca que:

[...] os problemas de aprendizagem não são restringíveis nem a causas físicas ou psicológicas, nem a análise das conjunturas sociais. É preciso compreendê-los a partir de um enfoque multidimensal, que amalgame fatores orgânicos, cognitivos, afetivos, sociais e pedagógicos, percebidos dentro das articulações sociais. Tanto quanto a análise, as ações sobre os problemas de aprendizagem devem inserir-se num movimento mais amplo de luta pela transformação da sociedade.

Se pararmos para analisar, as conclusões que tiramos dos outros, sendo que entre estes outros podemos citar a escola, a família e a religião, podemos considerar como mitos, mas que de alguma forma são organizados pelas estruturas cognitivas. Quando pensamos na compreensão e contextualização da realidade, alguns problemas podem ser vistos de forma confusa, o sujeito se insere nessas impressões e, dessa forma, é reconduzido em sua trajetória pessoal dispondo de energia necessária para saber o que está acontecendo consigo, com o outro e com o mundo.

Figura 2.3: Um olhar psicopedagógico atento
Fonte: Costa (2017).

Voltando nosso olhar estritamente ao diagnóstico institucional, devemos construir um ponto de vista e uma escuta diferenciada, direcionada para o processo ensino-aprendizagem, possibilitando a percepção dos sintomas, o estudo destes e a busca de solução para os problemas estudados, analisados no cotidiano da instituição.

Figura 2.4: Sintomas no problema ensino-aprendizagem
Fonte: Murali Nath, 123RF.

Você deve saber que, para que se realize o diagnóstico psicopedagógico, o psicopedagogo deve estar em contato com o sujeito a ser diagnosticado. Por meio desse contato, é possível diagnosticar os sintomas e, posteriormente, as ações necessárias para a intervenção. Logo, entender o processo psicopedagógico envolvido no processo de ensinar e aprender exige uma compreensão das causas, de acordo com os sintomas apresentados. O diagnóstico é de extrema importância, pois é ele que orienta o psicopedagogo  no processo de intervenção a fim de que este seja significativo para o indivíduo e para a instituição na qual ele está inserido, para que a aprendizagem seja melhorada de forma significativa.

Figura 2.5: Diagnóstico X Intervenção: Esquema
Fonte: Elaborada pela autora.

O diagnóstico psicopedagógico é muito mais do que coleta de dados sobre a qual se organiza uma linha de raciocínio. Muito mais que isso, de acordo com Barbosa (1998, p. 47), esse diagnóstico “é um  momento de transição, como um  passaporte para a intervenção posterior, usando de aproximação sucessiva para entrar em contato com o objeto de estudo”.

A visão institucional implica em termos uma visão integrada, ou seja, a visão de aprendizagem e a visão de mundo. Assim, o psicopedagogo institucional concretiza seu papel mediante uma análise detalhada e clara observação das dimensões que envolvem o diagnóstico acerca da aprendizagem e que possibilite uma reflexão e conhecimento dos problemas educacionais que estão relacionados a uma série de variáveis. Entre estas variáveis, podemos destacar as correntes filosóficas, as políticas educacionais, os aspectos morais, culturais e étnicos que influenciam diretamente na prática docente, no modelo didático e na relação dos pares educativos.

Dessa forma, vamos voltar a falar da epistemologia convergente. Visca (1991, p.32), diz que “é necessário que exista um instrumento conceitual capaz de representar os distintos estados dos objetos sem que o mesmo perca sua unicidade”. Esse instrumento está ligado à matriz do pensamento diagnóstico, sendo sua prática orientada por princípios que estabelecem a relação do diagnóstico.

Para começarmos, vamos abordar o conceito de matriz do pensamento diagnóstico e, posteriormente, os instrumentos que o psicopedagogo utiliza para sua prática no âmbito institucional.

Vamos compreender esses dois conceitos?

Matriz do Pensamento Diagnóstico

Essa Matriz do pensamento diagnóstico  matriz está organizada da seguinte maneira esquemática: o diagnóstico, o prognóstico (é o passo seguinte ao diagnóstico em que se traçam as intervenções) e as indicações que serão feitas para trabalhar em cima do diagnóstico detectado. Ela se baseia em pensamentos interacionistas, construtivistas e também estruturalistas.

Podemos considerar que esse diagnóstico, tomando como base Barbosa (2001), ocorre da seguinte maneira, conforme os passos a seguir:

1- Diagnosticando o sintoma É quando o sujeito passa a ser analisado, observado, desde o que se refere a ele mesmo até o contexto social no qual está inserido, portanto devemos ter uma visão ampla do processo do diagnóstico, e não só do contexto institucional ou meio social do sujeito.
2- Analisando as causas do sintoma Existem causas do sintoma que certamente podem fazer parte da história de vida do sujeito, mas devemos considerar também que não são somente essas causas que compõem o sintoma e, sim, que este pode ser originário de causas atuais.  
3- Perceção acerca da origem do sintoma Esse é o momento em que ocorre um estudo aprofundado de onde vem o problema e os sintomas que ele apresenta, ou seja, se estão relacionadas as causas, sintomas e circunstâncias que levaram ao aparecimento do sintoma. Quando pensamos no diagnóstico e no contexto histórico no qual ele está ligado, devemos saber que ele tem as concepções construtivista, estruturalista e interacionista como bases, pois estas também são o alicerce da epistemologia convergente. O que queremos dizer com isso é que a epistemologia convergente propõe que o sujeito a ser diagnosticado, na sua estrutura de aprendizagem, mostra claramente no seu modo de ser as relações vinculares nas quais ele está inserido.
4- Comparação entre o sintoma apresentado e o que é considerado “normal” clinicamente Neste quarto tópico, tomamos como base Pichon Rivière (1988, p.122), que fala do esquema conceitual referencial operativo, ou simplesmente Ecro, que trata da instituição como um lugar que possui padrões a serem considerados, ou seja, parâmetros de normalidade, e isto se refere às normas, aos valores, aos costumes que servem a docentes, alunos e a toda comunidade escolar em que esse aluno/sujeito está inserido. Os sintomas variam de instituição para instituição, bem como o diagnóstico, pois estes dependem da proposta do projeto político-pedagógico da escola e o que eles propõem em relação aos problemas de aprendizagem. Com esta base, o psicopedagogo dará seu diagnóstico de acordo com os seus conhecimentos teóricos e filosóficos.
5- Passos prognósticos após o diagnóstico   Neste passo o psicopedagogo      projeta suas ações futuras/ prognósticas com base no que foi diagnosticado, ou seja, aqui é relatada a intervenção que será realizada de maneira detalhada com todo embasamento teórico e filosófico necessário para a compreensão de quem lê o relatório, mas lembrando que este deve estar aberto a mudanças caso necessário. 
6- Intervenções Neste último tópico, estamos nos referindo, especificamente, às intervenções necessárias. Estas intervenções podem ser psicopedagógicas ou, também, referentes a outras áreas, tais como psicologia e psiquiatria, tudo isso com seus devidos encaminhamentos. Com base no que a instituição propõe acerca do processo ensino e aprendizagem, no diagnóstico e no prognóstico, o psicopedagogo deve ter diversificados instrumentos para realizar sua intervenção da maneira mais eficaz possível e de acordo com a evolução que o sujeito apresentar no decorrer do processo, pois pode haver necessidade de mudança metodológica.

Quadro 2.3: Passos para o diagnóstico até a intervenção
Fonte: Barbosa (2001, p.135).

Quando falamos da origem e da evolução dos problemas, não podemos deixar de citar Barbosa (2001, p.135), quando ele expõe um ponto de vista diferente em relação aos obstáculos que Visca (1991) propõe na citação a seguir:

a- Obstáculo de ordem do conhecimento: falta de aprofundamento ou desconhecimento de determinado tema, grau de coerência entre o discurso da proposta ­política-pedagógica da instituição e sua interpretação, revelada pela prática do cotidiano.
b- Obstáculo de ordem da interação: vinculação objetiva que se estabelece com as situações de aprendizagem dentro da instituição e a comunicação que se instala entre o protagonista do processo de ensino/aprendizagem.
c- Obstáculo da ordem do funcionamento: obstáculos relacionados ao funcionamento da instituição como um todo, que podem estar relacionados à administração, à metodologia educacional vigente, ao grau de filiação de seus elementos, à distribuição de funções, aos espaços físicos e a tudo o que se relaciona ao processo de ensino-aprendizagem.
d- Obstáculos de ordem estrutural: a forma como a instituição está organizada, os níveis de hierarquia e relações previstas, os subsistemas e suas relações e o quanto auxiliam ou dificultam o processo de ensinar e aprender.

Ao analisarmos esses obstáculos de uma maneira crítica e bastante técnica, com eles, praticamente temos o diagnóstico institucional, pois é possível compreender o que levou o aparecimento desses sintomas, bem como caminhar para a realização da intervenção.

Figura 2.6: Sintomas dentro da escola
Fonte: Cathy Yeulet, 123RF.

Dessa forma, a matriz do pensamento diagnóstico nos propõe uma série de passos que devemos seguir ou termos em mente para estruturarmos nossa prática psicopedagógica, a fim de que, considerando do prognóstico até a intervenção, tenhamos tudo pronto e preparado corretamente para a intervenção. Não esquecendo que, em todo âmbito escolar, devemos considerar que nem tudo o que planejamos conseguimos seguir na totalidade, mas devemos tentar diagnosticar o mais corretamente possível e propor as atividades mais específicas necessárias ao grupo para que os obstáculos sejam supridos.

O Diagnóstico Psicopedagógico – Instrumentos e Técnicas

Quando falamos em diagnóstico psicopedagógico, devemos pensar em uma sequência de passos que são base para a realização desse diagnóstico. A seguir, falaremos sobre cada um deles, tomando como base a linha de pensamento de Barbosa (2001).

Entrevista para Exposição de Motivos

Com a entrevista, começamos a diagnosticar a queixa apresentada. Assim, podemos afirmar a importância do psicopedagogo, pois ele terá que mostrar todo seu olhar atento acerca do indivíduo, escutando o sujeito atentamente. Logo, roteiros devem ser preparados de maneira detalhada, de forma que o psicopedagogo possa analisar o sujeito em todos os aspectos, dando a liberdade do sujeito responder a todas as perguntas.

Deve haver a presença da equipe pedagógica da instituição com o psicopedagogo para que possam analisar conjuntamente a queixa apresentada. Uma coisa que deve ser observada é que geralmente quando a queixa é apresentada, o apresentante arruma uma maneira de não enfrentar o conflito, a fim de evitar mudanças nas atitudes acerca do sujeito. Assim, devemos observar que não basta apenas existir a queixa, mas que haja uma disponibilidade para que mudanças ocorram. Barbosa (2001, p. 149), diz que esse movimento e observações na entrevista podem ser de ordem física, afetiva e cognitiva para que a queixa e o diagnóstico sejam realizados com sucesso.

Enquadramento do Processo Diagnóstico

Quando falamos em enquadramento, trata-se do passo do diagnóstico em que são inseridas as justificativas, o objetivo do diagnóstico, os métodos, os materiais, os honorários e, também, o planejamento da intervenção que será realizada. Acrescentamos aqui que é nesse enquadramento que se mostram os planejamentos das ações previstas na intervenção, devendo fornecer subsídios para que mudanças possam ser feitas quando necessárias, ou seja, o enquadramento não deve ser visto, portanto, como algo estático.

É importante que o psicopedagogo mantenha uma distância entre a intervenção que realiza com as demais etapas que o sujeito aprende na escola para que não haja uma interferência no processo ensino-aprendizagem do sujeito, contudo esse psicopedagogo deve estar atento ao desenvolvimento do sujeito na instituição para que possa verificar se a aprendizagem está acontecendo ou se a intervenção está sendo positiva para a aprendizagem.  

Observação e Análise do Sintoma

Tomando como ponto de partida uma visão sistêmica, quando falamos de sintoma devemos ter em mente que este existe se, e somente se, percebermos que algo não está se desenvolvendo da maneira que deveria, ou seja, se há uma dificuldade de aprendizagem que se apresenta no sujeito ou no grupo. Dessa forma, quando o sintoma é investigado, estamos nos aproximando do nosso foco do estudo, que é o sujeito, e conseguimos realizar o diagnóstico de forma precisa. Foi Barbosa (2001) que organizou um importante instrumento psicopedagógico para essa investigação, a qual tem nome de Entrevista Operativa Centrada na Modalidade de Ensino Aprendizagem, cuja sigla é Eocmea.

Carlberg (2000, p.17) relata o que objetiva essa entrevista:

prevê uma aproximação ao objeto de estudo de maneira a perceber o que o grupo sabe, e não simplesmente o que o grupo não sabe. Este saber é relativo à operatividade do sujeito e à operatividade do grupo. Objetiva, portanto, pesquisar a dinâmica (o que o corpo fala), a temática (o que é verbalizado) e o produto.

A Eocmea é aplicada ao grupo de sintomas diagnosticados por meio da queixa e, dessa forma, deve-se elaborar as atividades importantes para o diagnóstico, deduzir as hipóteses e instrumentos para a intervenção.

Organização do Primeiro Sistema de Hipóteses

É nessa etapa que analisamos as causas dos sintomas apresentados, tomando como base a Eocmea para organizar as ações e os planos de trabalho, a fim de verificar se as hipóteses levantadas procedem ou não. Devemos ter conosco que as hipóteses devem estar ligadas à afetividade, à comunicação desse sujeito ou à maneira pela qual a instituição atende aos objetivos. Você pode usar os obstáculos relatados na matriz diagnóstica para determinar as hipóteses. Assim, com esse primeiro sistema de hipóteses, os instrumentos com os quais se confirmam ou negam as hipóteses serão utilizados.

Escolha de Instrumentos de Investigação

Conforme mencionamos no tópico anterior, a instrumentalidade deve ser utilizada após o primeiro sistema de hipóteses. Logo, é importante que você saiba que o psicopedagogo tem de estar em constante e atenta análise acerca do sujeito, pois, dessa forma, é possível diagnosticar os instrumentos mais eficientes para cada caso que encontra. Os elementos mais usuais são as provas projetivas, as entrevistas, as práticas observatórias, os materiais usados na instituição e assim por diante. É importante utilizar-se de instrumentos que forneçam uma visão ampliada da instituição, e não aqueles que estejam apenas focados no indivíduo. É por isso que temos instrumentos que são aplicáveis nos diagnósticos clínicos e que não podemos utilizar nas instituições, o que caracteriza a importância de que o psicopedagogo conheça bem os instrumentos que podemos aplicar em cada diagnóstico.  

Levantamento do Segundo sistema de Hipóteses

Nesse passo, com esse segundo sistema de hipóteses, aplicamos novos instrumentos e, diante disso, retirarmos novas hipóteses, caso estas existam. Dessa forma, é possível programar e confirmar as intervenções futuras.

Pesquisa da História

Mesmo que tenhamos seguido todos esses passos anteriores, ou seja, visto que já conhecemos um pouco acerca do sujeito e da instituição, é importante que conheçamos a organização da instituição por meio da história que ela apresenta:

não se resume ao conhecimento da história da instituição, da forma geral, e sim preocupa-se em centrar seu levantamento no conhecimento da história da problemática, objeto da queixa que originou o diagnóstico e no conhecimento histórico dos fatores causais que foram base das hipóteses anteriores (BARBOSA, 2001, p. 168).

Os responsáveis por essa pesquisa devem ser os gestores escolares, por meio de questionários cujas questões sejam voltadas à história da instituição e aplicadas a quem a conhece, para que seja possível o conhecimento dessa história.

Terceiro Sistema de Hipóteses

A terceira e última hipótese serve para ajustar as hipóteses diagnósticas anteriores, para a seguir a realização da entrevista e, por fim, haver a devolução dos resultados. Aqui, deve existir a descrição dos obstáculos encontrados, a interação do sujeito, a estrutura institucional e o funcionamento desta.

Devolutiva e o Informe Diagnóstico

Chegamos na última etapa. Aqui, a hipótese diagnóstica acerca do sujeito e meio no qual ele está inserido deve estar escrita em um relatório detalhado sobre ele e, a seguir, deve ser entregue à instituição. Chamamos esse processo de devolutiva, que vai além da entrega desse relatório de maneira escrita, pois deve existir uma devolutiva verbal e explicativa acerca do objeto entregue para que a instituição compreenda o que deve ser feito, como deve ser feito e que o prognóstico seja concluído conforme o diagnóstico. Dessa forma, encerramos a matriz do pensamento diagnóstico com a preparação para a elaboração de um plano de trabalho para a intervenção futura.

Análise dos Resultados

É por meio do diagnóstico psicopedagógico que a instituição aplicará as atividades propostas, as quais devem servir como base para análise do processo de aprendizagem, e estas atividades podem ser aplicadas a instituição ou para o grupo. O psicopedagogo deve, portanto, analisar atentamente os resultados obtidos, de acordo com o material levantado, e isso deve identificar as potencialidades e as fragilidades do grupo ou do sujeito. De acordo com Barbosa (2001, p. 172),

os grupos, como unidades de análise e estes se utilizam de  mecanismos interpsíquicos o que caracteriza como  aprendizagem intragrupal, sendo esse um fator primordial de busca para o psicopedagogo construir sua matriz diagnóstica, bem como traçar estratégias de intervenção.

De acordo com a psicopedagogia de Visca (1987), que toma como base  Pichon-Rivière, há o uso do instrumento conceitual cone invertido, o qual auxilia na leitura e análise dos resultados das atividades propostas no diagnóstico.

Esse instrumento apresenta como característica o fato de existir seis eixos de análise. São eles: pertença, cooperação, pertinência, comunicação, aprendizagem e tele (aproximação). Estes possibilitam a compreensão dos movimentos grupais que são responsáveis pelo desenvolvimento do que foi proposto no diagnóstico.

O psicopedagogo deve usar os vetores propostos pelo cone invertido como um referencial, a fim de que se possam acompanhar os desempenhos grupais tanto no que tange à horizontalidade como aos grupos que atuam pela verticalidade do funcionamento de cada membro do grupo.

SAIBA MAIS

Pedagogia Institucional

Para saber mais sobre teorias e práticas da pedagogia institucional, acesse o arquivo de Dayse Carla Gênero Serra que traz importantes contribuições para a temática. Disponível em: https://docplayer.com.br/10924579-Teorias-e-praticas-da-psicopedagogia-institucional.html.

Fonte: elaborado pela autora.

Indicação de leitura

Nome do livro: Atuação em Psicopedagogia Institucional - Brincar, Criar e Aprender em Diferentes Idades

Editora: Vozes

Autor: Maria Célia Rabello Malta Campos

Ano: 2012

ISBN: 9788578541958

Comentário: Esse livro mostra a importância da ludicidade dentro da escola e nas práticas interventivas nos contextos empresarial, hospitalar e institucional, tendo como foco a infância até a terceira idade, trabalhando o que há de mais particular em cada uma das idades.

Atividade

A avaliação psicopedagógica tem como objetivo principal a investigação das dificuldades e recursos utilizados pelo sujeito no processo de aprendizagem e apropriação do conhecimento. A partir da sistematização e seguimento de passos específicos, permite a elaboração de uma hipótese diagnóstica capaz de auxiliar o sujeito perante tais dificuldades.

Em relação à temática da avaliação psicopedagógica, assinale a alternativa correta.

No diagnóstico psicopedagógico, a entrevista inicial tem como objetivo a sintetização das informações coletadas para a finalização do processo e início da intervenção.

Incorreta: pois no diagnóstico psicopedagógico, a entrevista inicial tem como objetivo coletar as primeiras informações sobre a situação vivenciada pelo sujeito em um movimento em que há a exploração inicial dos possíveis fatores relacionados à queixa principal.

A quantidade e o tipo de sessões necessários para realizar o processo de diagnóstico psicopedagógico são invariáveis, independentemente da queixa apresentada.

Incorreta: pois a quantidade e tipo de sessões necessários para realizar o processo de diagnóstico psicopedagógico vão depender da queixa apresentada, principalmente porque essa queixa está associada aos fatores que são singulares para o sujeito em investigação e não devem ser predeterminadas como algo estanque e imutável.

O diagnóstico psicopedagógico é realizado pelo psicopedagogo, contudo, a sua interpretação é feita somente por um neurologista ou especialista médico.

Incorreta: pois apesar de a Psicopedagogia ter como uma das suas origens o campo médico, o diagnóstico psicopedagógico é realizado pelo psicopedagogo, que também fará a interpretação dos resultados dessa avaliação, para após isso, colocar em prática o plano de intervenção elaborado para o sujeito em análise.

A sequência da avaliação diagnóstica dependerá da fundamentação teórica seguida pelo profissional, pois há diversidade em relação às diferentes abordagens utilizadas.

Correta: pois apesar de o diagnóstico apresentar alguns passos comuns, a sequência da avaliação diagnóstica dependerá de abordagem teórica seguida pelo profissional que faz o diagnóstico psicopedagógico, pois não é um modelo teórico único para ser utilizado.

Após a finalização do diagnóstico psicopedagógico, não é necessário o retorno ou devolutiva para o sujeito e/ou instituição.

Incorreta: pois após a finalização do diagnóstico psicopedagógico é recomendado que haja uma devolutiva para o sujeito e/ou instituição, pois o sujeito ou a instituição precisa entender tudo aquilo que foi realizado, para somente assim colocar em prática intervenções condizentes à avaliação feita.

Atividade

O caráter multidimensional e interdisciplinar da Psicopedagogia permite que ela seja pensada a partir da junção de diferentes conhecimentos e perspectivas, que somadas possibilitam o aprofundamento do conhecimento da aprendizagem humana a partir de toda a complexidade presente no estudo desta temática.

Considerando essa multiplicidade da Psicopedagogia, assinale a alternativa correta.

A Psicopedagogia só pode ser exercida por profissionais da educação, pois somente tais profissionais possuem o conhecimento prévio necessário para a compreensão desse tipo de especialização.

Incorreta: pois apesar de a Psicopedagogia ser campo de grande prática para os pedagogos e demais profissionais da educação, não é considerada campo de atuação e aperfeiçoamento específico dessa classe social, sendo estudada por outros profissionais, por exemplo, psicólogos, fonoaudiólogos etc.

Não há diferença entre a atuação da Psicologia e da Psicopedagogia, pois ambas olham para a questão da cognição e dos possíveis efeitos do seu desequilíbrio na vida do sujeito.

Incorreta: pois apesar de a Psicopedagogia utilizar-se do conhecimento da Psicologia no seu campo de atuação, as duas práticas profissionais não devem ser consideradas como o mesmo foco e desenvolvimento de trabalho, pois a Psicopedagogia faz análise de como o ser humano constrói o seu conhecimento, enquanto a Psicologia tem uma visão mais ampla e voltada para a análise psíquica de diferentes aspectos da vida.

No ambiente empresarial, a psicopedagogia tem como um dos seus objetivos a criação de diferentes oportunidades de aprendizagem no ambiente profissional, promovendo a construção e o compartilhamento do conhecimento.

Correta: pois considerando a amplitude de possibilidades de trabalho para o psicopedagogo, tal profissional pode estar inserido no ambiente empresarial e, a partir da sua prática, permitir que nesse ambiente existam oportunidades de aprendizagem e de compartilhamento de conhecimento.

A Psicopedagogia no ambiente hospitalar não pode ser considerada como legítima atuação da Psicopedagogia, pois tal área profissional está voltada somente para o trabalho nas instituições escolares.

Incorreta: pois a Psicopedagogia Hospitalar é uma das possíveis áreas de atuação da Psicopedagogia Institucional e uma das suas funções é a de permitir que os sujeitos hospitalizados possam dar continuidade ao seu processo de aprendizagem.

É aconselhável que o profissional da Psicopedagogia trabalhe sozinho, para não correr o risco de ter, na sua prática profissional, a incorporação de conceitos e práticas de outras áreas do conhecimento.

Incorreta: pois a Psicopedagogia surgiu de uma perspectiva interdisciplinar e multidimensional e tem como possibilidade o trabalho com grupos e em parceria na clínica e em diferentes tipos de instituições. Considerando isso, o trabalho interdisciplinar permite a valorização e incremento das ações profissionais, trazendo a partir de diferentes perspectivas, um cuidado mais integral.

Atividade

O bullying escolar é uma das grandes dificuldades enfrentadas nas escolas de todo o Brasil e também do mundo. É caracterizado por atitudes agressivas intencionais e, muitas vezes, veladas no ambiente escolar e que pode trazer feridas imensuráveis para aqueles que vivenciam um cotidiano sob esse mal.

Considerando a temática do bullying, assinale a alternativa correta.

Baixa autoestima, depressão, ansiedade, desinteresse pela escola, queda no desempenho escolar, isolamento social e irritabilidade são alguns dos possíveis efeitos do bullying na saúde emocional de quem o sofre no seu cotidiano.

Correta: pois o bullying é muito praticado no ambiente escolar e pode resultar em vários problemas emocionais. Alterações de humor, isolamento e, até mesmo, suicídio. São só alguns dos possíveis efeitos psíquicos de tal prática na vida daqueles que passam constantemente por esse tipo de violência.

O bullying não é temática importante para a Psicopedagogia, pois apesar de ser possibilidade de interferência na aprendizagem, não é uma causa direta dos problemas relacionados às dificuldades educacionais.

Incorreta: pois o bullying pode interferir indireta e diretamente no modo como aquele que o sofre aprende e relaciona-se com o ambiente de aprendizagem. É muito comum sujeitos que sofrem bullying sentirem-se desestimulados em ir à escola e com queda de seu rendimento escolar, devido aos efeitos emocionais dessa vivência tão difícil e traumática.

O psicopedagogo pode ajudar nas situações de bullying, desde que a sua intervenção seja focada nos aspectos individuais, para assim preservar o ambiente escolar dos efeitos desse tipo de agressão.

Incorreta: pois o psicopedagogo pode desenvolver um trabalho coletivo no ambiente escolar para a conscientização de toda a comunidade da importância da temática do bullying. Vítimas, espectadores e agressores, além da família e dos demais membros da comunidade escolar, precisam, juntos, pensar em estratégias de cuidado e o psicopedagogo pode ocupar esse papel de mediação.

O bullying pode ter como consequência prejuízos emocionais sérios. Considerando isso, somente um Psicólogo pode trabalhar a questão do bullying nas escolas, pois ele é o único profissional capacitado.

Incorreta: pois o Psicólogo Escolar pode ser de grande valia no trabalho com o bullying no ambiente escolar, pois ele é um profissional capacitado para lidar com tais questões na escola. Contudo, toda a comunidade escolar, incluindo os Psicopedagogos, tem papel de importância nesse cuidado e estes podem pensar em estratégias para olhar para a situação.

Quando o bullying acontece, é necessário buscar soluções, mas sem a participação dos alunos, pois eles não costumam ter a maturidade e o conhecimento necessários para isso.

Incorreta: pois quando o bullying acontece, é necessário que toda a comunidade escolar se organize para olhar a questão e buscar soluções compartilhadas. Nesse processo, os alunos ocupam lugar de destaque, pois eles costumam ter o conhecimento de situações de bullying que podem acontecer de forma velada para a instituição e também porque podem ser grandes agentes transformadores do ambiente escolar.

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